
Castelo, no Sul do Estado, vive uma situação preocupante em relação à dengue. Somente nas primeiras duas semanas deste ano foram mais de 1 mil notificações. E o número está subindo. Até o momento, duas mulheres morreram vítimas da doença, uma de 77 anos e outra de 58.
Para ter uma ideia da situação alarmante, segundo boletim epidemiológico da dengue no Espírito Santo, Castelo é a cidade que lidera o índice de casos da doença no estado. Na última semana, teve índice de 1.718 casos por 100 mil habitantes. O Ministério da Saúde já considera alto quando está acima de 300 casos por 100 mil e a cidade está quase seis vezes acima deste número.
Abaixo de Castelo vem São Roque do Canaã com índice de 1.167. Já o terceiro no estado, Vila Valério, teve 241 casos por 100 mil, muito abaixo das duas primeiras cidades. Só para nível de comparação, o índice médio no Espírito Santo é de 89,90 casos por 100 mil.
Acontece que desde 2021 o município vem falhando em algumas ações, segundo relatório feito pela equipe da Superintendência Regional de Saúde. O documento foi solicitado pelas vereadoras Neucilene Côgo Viana e Maria Lúcia Ventorim, que estavam preocupadas com a situação da dengue no município. Elas disponibilizaram nas redes sociais para a população avaliar.
Segundo relatório, em inspeção no dia 28 de maio de 2021 a equipe constatou número insuficiente de agentes de endemia no trabalho em campo para combater o mosquito, alguns com desvio de função, atuando em outras áreas, além de atraso no ciclo de visita aos domicílios.
Ainda, de acordo com o documento, em dezembro de 2022, quando o índice da dengue já estava preocupante, a equipe da Superintendência constatou que, apesar do número reduzido de agentes de endemia, quatro destes profissionais estavam de férias ao mesmo tempo.
Alguns vereadores de Castelo alertaram a prefeitura sobre o risco de epidemia de dengue. Entre as que mais debatem o assunto estão Maria Lúcia Ventorim e Neucilene Côgo Viana.
Maria Lúcia destacou que desde o ano passado, as reclamações quanto ao número de mosquitos são recorrentes em quase todos os bairros. Disse ainda que nos últimos meses as reclamações aumentaram ainda mais, assim como o número de contaminações.
“O que aconteceu é que o município só começou a olhar com seriedade para esta situação quando não podia mais ser negada. Aí, começaram a cobrar o carro fumacê, achando que iria resolver o problema”, destacou a vereadora.
Ela ressaltou ainda que desde a pandemia da Covid-19 a prefeitura retirou agentes de endemia de campo para que ajudassem nas campanhas de vacina. Disse que já teve ocasião de ficarem dois meses sem trabalho no campo.
A vereadora destacou também que solicitou a presença de um representante da prefeitura na câmara para explicar sobre a situação dos mosquitos, porém não recebeu retorno.
O prefeito de Castelo, João Paulo Nali, informou que, ao contrário do que está apresentado no relatório, o município tem feito o dever de casa e que fez todos os ciclos exigidos de combate ao Aedes aegypti, o mosquito causador da dengue.
João Paulo destacou que o crescimento da dengue no município teve relação principalmente com uma mudança climática dos últimos tempos.
“Foi um período atípico. Castelo enfrentou 42 dias de chuva. Chovia à tarde, mas com sol o dia todo. Nós aplicávamos o inseticida, mas o trabalho acabava sendo anulado com a chuva recorrente. E isso acabou desencadeando o aumento de casos na cidade”, explicou.
Sobre o relatório, o prefeito questionou os dados apresentados e afirma que foi uma questão política, pois ele é de um grupo opositor ao do governo do estado.
O prefeito também reclamou que solicitou carro fumacê e não foi atendido pelo governo. A alegação é que o uso era proibido.
Esse fato consta no relatório da Superintendência Regional de Saúde. No documento é relatado que existe uma lei estadual de 2021 que proíbe o uso do UBV pesado, popularmente conhecido como carro fumacê, para combate ao Aedes aegypti, devido à mortandade de abelhas.
Segundo o documento, há um outro equipamento, denominado termonebulizador, que não é proibido. Porém, estudos apontam resistência do Aedes aos inseticidas usados no equipamento.
João Paulo disse que, apesar da negativa do estado, ele conseguiu um empréstimo do equipamento em um município vizinho e fez o combate por conta própria, usando um inseticida permitido por lei, ao longo de 10 dias e afirma que percebeu melhoria nos casos.
A Secretaria da Saúde (Sesa) informou que acompanha a incidência da doença em todo o Estado, promovendo orientações aos municípios e capacitando equipes técnicas. Mas destacou que as ações de prevenção e controle das doenças são executadas pelos municípios.
A Sesa destaca que toda a população precisa colaborar para evitar a proliferação do Aedes aegypti. Entre as medidas que podem ser adotadas estão: evitar água parada em pequenos objetos, pneus, garrafas e vasos de planta; manter a caixa d’água sempre fechada e realizar limpezas periódicas; vedar poços e cisternas; descartar o lixo de forma adequada.
A secretaria destacou ainda que os municípios são orientados a executar ações em seus territórios como reforçar a limpeza urbana, promover ações educativas nas escolas e estimular ações conjuntas entre diversos setores como saúde, educação, saneamento e meio ambiente, entre outros.
Saúde Prurigo Nodular: diagnóstico leva até cinco anos
Saúde Laser traz mais precisão para cirurgias proctológicas
Saúde Tecnologia aprimora resultados de cirurgias oftalmológicas
Saúde Hábitos simples contribuem para prevenir doenças futuras Saúde Coventry Núm. 1 no Relatório de Classificação de Life Settlements de 2025 Coventry lidera o mercado secundário em contagem de apólices, valor nominal e valor total pago aos segurados, reforçando sua posição como o comprad...
Saúde Blefaroplastia envolve função ocular além da estética Mín. 19° Máx. 29°
