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Dengue alcança números alarmantes em Castelo

E assusta população

25/01/2023 às 17h39
Por: Cidade na Rede Fonte: A Redação
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Dengue alcança números alarmantes em Castelo

Castelo, no Sul do Estado, vive uma situação preocupante em relação à dengue. Somente nas primeiras duas semanas deste ano foram mais de 1 mil notificações. E o número está subindo. Até o momento, duas mulheres morreram vítimas da doença, uma de 77 anos e outra de 58.

Para ter uma ideia da situação alarmante, segundo boletim epidemiológico da dengue no Espírito Santo, Castelo é a cidade que lidera o índice de casos da doença no estado. Na última semana, teve índice de 1.718 casos por 100 mil habitantes. O Ministério da Saúde já considera alto quando está acima de 300 casos por 100 mil e a cidade está quase seis vezes acima deste número.

Abaixo de Castelo vem São Roque do Canaã com índice de 1.167. Já o terceiro no estado, Vila Valério, teve 241 casos por 100 mil, muito abaixo das duas primeiras cidades. Só para nível de comparação, o índice médio no Espírito Santo é de 89,90 casos por 100 mil.

Acontece que desde 2021 o município vem falhando em algumas ações, segundo relatório feito pela equipe da Superintendência Regional de Saúde. O documento foi solicitado pelas vereadoras Neucilene Côgo Viana e Maria Lúcia Ventorim, que estavam preocupadas com a situação da dengue no município. Elas disponibilizaram nas redes sociais para a população avaliar.

Segundo relatório, em inspeção no dia 28 de maio de 2021 a equipe constatou número insuficiente de agentes de endemia no trabalho em campo para combater o mosquito, alguns com desvio de função, atuando em outras áreas, além de atraso no ciclo de visita aos domicílios.

Ainda, de acordo com o documento, em dezembro de 2022, quando o índice da dengue já estava preocupante, a equipe da Superintendência constatou que, apesar do número reduzido de agentes de endemia, quatro destes profissionais estavam de férias ao mesmo tempo.

 

Vereadoras alertaram prefeitura

Alguns vereadores de Castelo alertaram a prefeitura sobre o risco de epidemia de dengue. Entre as que mais debatem o assunto estão Maria Lúcia Ventorim e Neucilene Côgo Viana.

Maria Lúcia destacou que desde o ano passado, as reclamações quanto ao número de mosquitos são recorrentes em quase todos os bairros. Disse ainda que nos últimos meses as reclamações aumentaram ainda mais, assim como o número de contaminações.

“O que aconteceu é que o município só começou a olhar com seriedade para esta situação quando não podia mais ser negada. Aí, começaram a cobrar o carro fumacê, achando que iria resolver o problema”, destacou a vereadora.

Maria Lúcia Venturim. Foto: Câmara Municipal

Ela ressaltou ainda que desde a pandemia da Covid-19 a prefeitura retirou agentes de endemia de campo para que ajudassem nas campanhas de vacina. Disse que já teve ocasião de ficarem dois meses sem trabalho no campo.

A vereadora destacou também que solicitou a presença de um representante da prefeitura na câmara para explicar sobre a situação dos mosquitos, porém não recebeu retorno.

 

Prefeito afirma que fez o dever de casa

O prefeito de Castelo, João Paulo Nali, informou que, ao contrário do que está apresentado no relatório, o município tem feito o dever de casa e que fez todos os ciclos exigidos de combate ao Aedes aegypti, o mosquito causador da dengue.

João Paulo destacou que o crescimento da dengue no município teve relação principalmente com uma mudança climática dos últimos tempos.

“Foi um período atípico. Castelo enfrentou 42 dias de chuva. Chovia à tarde, mas com sol o dia todo. Nós aplicávamos o inseticida, mas o trabalho acabava sendo anulado com a chuva recorrente. E isso acabou desencadeando o aumento de casos na cidade”, explicou.

Sobre o relatório, o prefeito questionou os dados apresentados e afirma que foi uma questão política, pois ele é de um grupo opositor ao do governo do estado.

O prefeito também reclamou que solicitou carro fumacê e não foi atendido pelo governo. A alegação é que o uso era proibido.

Esse fato consta no relatório da Superintendência Regional de Saúde. No documento é relatado que existe uma lei estadual de 2021 que proíbe o uso do UBV pesado, popularmente conhecido como carro fumacê, para combate ao Aedes aegypti, devido à mortandade de abelhas.

Segundo o documento, há um outro equipamento, denominado termonebulizador, que não é proibido. Porém, estudos apontam resistência do Aedes aos inseticidas usados no equipamento.

João Paulo disse que, apesar da negativa do estado, ele conseguiu um empréstimo do equipamento em um município vizinho e fez o combate por conta própria, usando um inseticida permitido por lei, ao longo de 10 dias e afirma que percebeu melhoria nos casos.

 

Sesa diz que orienta e capacita os municípios no combate à dengue

Mosquito Aedes aegypti. Foto: Freepik

A Secretaria da Saúde (Sesa) informou que acompanha a incidência da doença em todo o Estado, promovendo orientações aos municípios e capacitando equipes técnicas. Mas destacou que as ações de prevenção e controle das doenças são executadas pelos municípios.

A Sesa destaca que toda a população precisa colaborar para evitar a proliferação do Aedes aegypti. Entre as medidas que podem ser adotadas estão: evitar água parada em pequenos objetos, pneus, garrafas e vasos de planta; manter a caixa d’água sempre fechada e realizar limpezas periódicas; vedar poços e cisternas; descartar o lixo de forma adequada.

A secretaria destacou ainda que os municípios são orientados a executar ações em seus territórios como reforçar a limpeza urbana, promover ações educativas nas escolas e estimular ações conjuntas entre diversos setores como saúde, educação, saneamento e meio ambiente, entre outros.

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