
Gestão de rodovias, transporte público de passageiros, projetos de concessão e metodologia BIM. Foram essas as quatro frentes debatidas pelo grupo de trabalho de Infraestrutura, Logística e Transporte, na 8ª edição do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), realizada na tarde desta sexta-feira (2/6), em Belo Horizonte.
O grupo contou com a presença de aproximadamente 60 pessoas e a participação de membros dos governos de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul. O encontro favoreceu a troca de experiências entre governos e a proposta de criação de uma base de dados com decisões tomadas pelos estados para problemas comuns a todas as federações.
A ideia é que as informações sirvam como um inventário de soluções para subsidiar os estados no momento de decisões importantes envolvendo temas como, por exemplo, os pleitos de reequilíbrio econômico-financeiro formalizados pelas empresas prestadoras de serviço. O tema, que surgiu na edição anterior do Cosud, no Rio de Janeiro, foi amadurecido e ganhou novos encaminhamentos a partir do encontro.
Concessões e PPPs
A apresentação da carteira de projetos do Governo de Minas foi o ponto de partida para as discussões sobre concessões e parcerias público-privadas. Hoje, o estado conta com iniciativas nas áreas de infraestrutura social, logística, mobilidade, parques e equipamentos culturais.
São rodovias, aeroportos, ginásios, terminais de passageiros, unidades socioeducativas, balsas, parques estaduais, dentre vários outros ativos que já estão ou serão concedidos a parceiros privados.
Os benefícios são expressivos. Em sua totalidade, a carteira tem potencial para gerar mais de 600 mil empregos diretos e indiretos. Já os investimentos esperados podem ultrapassar a marca de R$ 28 bilhões.
A busca por parcerias que tragam ganhos sociais e de desenvolvimento também foi a tônica nas apresentações dos estados que participaram do Grupo de Trabalho. O tema foi destacado pelo secretário adjunto de Parcerias e Concessões do Rio Grande do Sul, Gabriel Fajardo, que apresentou os projetos prioritários do estado na reunião.
Um dos pontos de convergência é o projeto de parceria público-privada para a construção do presídio do município de Erechim, que segue como modelo a PPP que viabilizou a unidade prisional de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), iniciativa pioneira no país.
Transporte coletivo
No debate sobre o transporte coletivo de passageiros, a governança, o financiamento e a integração tarifária foram o foco das conversas.
Os desafios enfrentados na gestão do serviço na RMBH foram apresentados aos gestores dos estados do Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que puderam compartilhar ideias e sugestões sobre como enfrentar tais problemas, na busca de soluções que tragam sustentabilidade para os sistemas de transporte coletivo frente a um contexto desafiador.
Uma das principais discussões foi sobre a necessidade da implantação de fontes de financiamento - tais como subsídio, receitas acessórias, orçamento público, para equilíbrio financeiro do transporte público, principalmente nas regiões metropolitanas, com o objetivo de compensar a redução da arrecadação tarifária, que vem ocorrendo ao longo dos últimos anos e foi agravada durante a pandemia.
BIM
Já nas discussões sobre a Metodologia BIM - conjunto de tecnologias que se utiliza de modelos digitais de construção - a frente de trabalho buscou avançar com as ações programadas pela Câmara Temática BIM-Cosud, criada no quinto encontro do consórcio, em 2019, por meio de um acordo de cooperação técnica entre os estados.
Com o objetivo de disseminar a metodologia e seus benefícios, a câmara propõe ações que incluem a troca de experiências e informações, a promoção de eventos de capacitação em BIM aos servidores públicos, inserção de disciplinas relacionadas em cursos de graduação, entre outras estratégias.
Na oitava edição do Cosud, o tópico principal para o debate foi a proposição de material com orientações para consolidar as práticas recomendadas e diretrizes para a implantação da metodologia BIM no setor público de todo o país. Servidores da área de infraestrutura dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná ajudaram a estabelecer os princípios para o material.
Passível de aplicação em todo o ciclo de vida de um empreendimento, a metodologia BIM oferece um ensaio da obra no computador, permitindo a realização de simulações virtuais e possibilitando a visualização em 3D do que está sendo projetado, otimizando tempo e recursos utilizados nas execuções das obras.
Gestão de ativos rodoviários
O grupo de trabalho formado por representantes dos Governos de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais irá construir um Manual de Boas Práticas para a gestão de ativos e monitoramento do desempenho das obras.
No documento, serão contempladas as quatro fases do ciclo de gestão de ativos: planejamento, projeto, manutenção e construção, partindo das três premissas: sustentabilidade, inovação e transparência.
Segundo o diretor-geral do DER-MG , Matheus Novais, “o projeto foi iniciativa proposta no último Cosud e agora estamos estruturando, de forma permanente, para as próximas edições. Tenho certeza que este projeto trará benefícios para todos os órgãos rodoviários das regiões Sul e Sudeste”, finalizou.
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