
O mês de setembro é pautado por muitas campanhas importantes na saúde, como setembro verde, vermelho e amarelo. Mas, é na cor dourada que ele se dedica exclusivamente às crianças e adolescentes, com a conscientização da sociedade sobre a importância aos sinais e sintomas sugestivos do câncer infantojuvenil. O Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), o Infantil de Vitória, é referência para o diagnóstico e tratamento do câncer infantojuvenil e desde abril deste ano, passou a fazer parte Grupo Brasileiro de Tratamento de Leucemia Linfoide Aguda na infância, o GBTLI. Desta forma, com estudo multicêntrico, isto é, que acontece concomitantemente em outras unidades referências no Brasil, desenvolve estudos para o aperfeiçoamento do protocolo de tratamento desta doença.
Ao todo, participam pouco mais de 30 unidades hospitalares, em 14 estados do País, e conta também com a presença de especialistas que são referências internacionais no diagnóstico e tratamento oncológico infantojuvenil, que atuam como coordenadores do protocolo.
“A literatura indica que instituições que participam de pesquisas multicêntricas têm resultados melhores. Sempre foi vontade de toda equipe participar, e com apoio da direção, aplicamos. Após um longo processo burocrático, tivemos a autorização. Desde o início, em abril deste ano, conseguimos inserir todas as 14 crianças que deram entrada à unidade com Leucemia Linfoide Aguda”, explicou a médica oncologista pediatra do HINSG, Glaucia Perini Zouain Figueiredo, coordenadora científica da pesquisa.
A participação na pesquisa ocorre após consentimento dos pais, e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Os dados são sigilosos, sem identificação dos pacientes. A pesquisa é desenvolvida no Núcleo de Trabalho em Onco-Hematologia (NT-OH/HINSG), e também conta com a participação da médica oncologista pediatra Camila Barros Braga Miranda.
Glaucia Perini conta que semanalmente o grupo se reúne para discussão dos casos: “É um momento de ampla participação e de diretrizes, pois são discutidas situações junto aos maiores especialistas e isso traz um conforto muito grande, pois sabemos que nossas condutas estão corretas com o aval desses profissionais, e traz um crescimento profissional absurdo.”
A expectativa do Núcleo de Trabalho em Onco-Hematologia é que até o final do ano a unidade possa participar de mais dois estudos multicêntricos. “A gente não quer parar no estudo da leucemia, queremos ter todos os nossos protocolos em pesquisas multicêntricas, com o tempo vamos conseguindo. A experiência atual tem sido fantástica e, em meio a tanto trabalho que o estudo requer, sabemos que é para o benefício dos nossos pacientes”, ressaltou.
Importância de realizar pesquisas multicêntricas para o câncer infantojuvenil
O câncer é passível de prevenção com hábitos saudáveis de vida em cerca de 30% nos adultos, mas, em crianças e adolescentes não há relação com fatores ambientais não sendo possível preveni-lo. O câncer infantil é doença rara, o que torna difícil reunir grandes amostras em uma única instituição. Com a colaboração de múltiplos centros, no desenvolvimento de pesquisas multicêntricas, é possível ter dados mais robustos, com amostragem representativa da população do estudo e maior poder estatístico.
Além disso, particularidades de determinados grupos populacionais podem ser reconhecidas alertando para suas causalidades e incentivando mais pesquisas e avanço no tratamento.
A médica oncologista pediatra, Glaucia Perini, explica que os avanços terapêuticos do câncer infantil, que mirem a cura sem sequelas, necessitam cada vez mais da lógica dos estudos cooperativos. “Pois, é por meio de protocolos investigacionais para o tratamento de diversas neoplasias desenhados por grupos de estudo entre vários centros do Brasil e do mundo, que definem modelos padronizados de tratamento.”
No Espírito Santo, o HISNG passou a integrar neste ano de 2023 o grupo cooperativo para tratamento da Leucemia Linfoide Aguda, pelo Grupo Brasileiro para Tratamento da Leucemia Linfoide Aguda (GBTLI). O GBTLI iniciou seu primeiro estudo em 1980, favorecendo a divulgação de práticas uniformizadas de tratamento.
“Participar de estudo desta envergadura exige grandes esforços, mas traz também muitas vantagens, entre elas, a incorporação sistemática das tecnologias recomendadas para o correto diagnóstico e tratamento. Além disto, todos os casos são apresentados e discutidos em reuniões semanais, favorecendo a vigilância constante e assegurando o rigor no cumprimento do protocolo e as melhores práticas”, detalhou a médica.
Núcleo de Trabalho em Onco-Hematologia do HINSG
Uma das principais referências do Hospital Infantil de Vitória é o Núcleo de Trabalho em Onco-Hematologia (NT-OH/HINSG). A Unidade de Tratamento de Alta Complexidade em Onco-Hematologia (UNACON) é responsável por diagnosticar e determinar a modalidade de tratamento da doença, como cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Os tipos de câncer mais comuns são leucemias, linfomas, tumores de sistema nervoso central, tumores ósseos, tumores de partes moles, tumores do rim e neuroblastomas, com mais acometimento em crianças de 1 a 5 anos de idade.
Por meio de suas ações interdisciplinares e com a assistência centrada no paciente e na família, o NT-OH procura seguir as diretrizes das políticas nacionais e as melhores práticas nacionais e internacionais para o cuidado e o manejo desses pacientes. A unidade funciona em três espaços dentro do HINSG, o ambulatório; o Hospital-Dia, funcionando 12 horas diariamente, inclusive fins de semana e feriados; a enfermaria para hospitalizações mais prolongadas. Ainda conta com o apoio da Unidade de Terapia Intensiva, Laboratório, Radiologia, Centro Cirúrgico, Banco de Sangue e outras enfermarias de retaguarda.
O Núcleo de Trabalho em Onco-Hematologia tem especialidades em Cirurgia Torácica, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Vascular, Neurocirurgia, Endócrino, Geneticista, Ortopedia Onco, Oncologia, Hematologia, Fonoaudiologia, Enfermagem, Serviço Social e Psicologia.
Dados câncer infantojuvenil
O Espírito Santo, segundo dados do Painel Oncologia, do Ministério da Saúde, teve, em 2022, 281 novos casos de neoplasias (câncer) no público infantojuvenil, de zero a 19 anos. Em 2023, até o mês de agosto, são 57 novos casos. Em relação aos óbitos, foram 48 em 2022 e 19 em 2023, até início de agosto, segundo dados do Sistema de Informação de Mortalidade. Os dados são preliminares.
Setembro Dourado
Com o objetivo de conscientizar sobre o câncer infantojuvenil, o “Setembro Dourado” busca alertar pais, profissionais de saúde e a sociedade em geral sobre a importância de se atentar aos sinais e sintomas sugestivos do câncer em crianças e adolescentes. O câncer corresponde a um grupo de doenças que têm em comum um aumento descontrolado de células anormais, podendo ocorrer em qualquer local do organismo.

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