
Em entrevista ao portal UOL após o sepultamento do filho, o soldado Pedro Chaves, de 19 anos, a dona de casa Alynne Soares disse que terá que conviver com a dor da perda pelo resto da vida e declarou que ser paraquedista era o sonho da vida de Pedro.
– Meu filho estava cheio de vida, alegre, feliz de ter conseguido entrar na Brigada. Era o sonho dele, e agora só sobrou a dor – afirmou.
O soldado Pedro Lucas Ferreira Chaves morreu na manhã de sábado (20), durante um treinamento de paraquedistas na Base Aérea dos Afonsos, em Realengo, na zona oeste do Rio. Ele saltou da aeronave, mas seu paraquedas não abriu corretamente. Imagens feitas por cinegrafistas amadores mostram o soldado pendurado à aeronave.
Durante a conversa, Alynne também falou sobre a presença do presidente Jair Bolsonaro durante o velório do rapaz. Ao comentar o fato, ela disse que recebeu com carinho a ida do chefe do Executivo e destacou que ele se emocionou durante as homenagens.
– Recebi com muito carinho a presença do Bolsonaro no velório do meu filho. O Bolsonaro se emocionou durante as homenagens. Mas eu entreguei o meu filho vivo, para realizar o sonho dele de ser paraquedista. E eles me devolveram meu filho morto. Vou ter que conviver com essa dor o resto da vida – declarou.
A dona de casa destacou que Bolsonaro tentou consolá-la durante o velório e que ele pediu que ela orasse pelo filho. Durante a cerimônia, o presidente fez um discurso em homenagem ao soldado.
– Ele disse que sentia muito e, enquanto eu chorava, pediu que eu orasse para que o espírito do meu filho estivesse num bom lugar. Mas é muito difícil – apontou.
A mãe de Pedro contou que o salto feito no sábado (20) era o terceiro, e último, para conclusão do curso de paraquedismo. Ela relatou que, na madrugada do dia do acidente, o jovem ligou empolgado falando sobre o segundo salto.
– Me ligou às 3h30 da manhã de sábado para comemorar que já ia para o terceiro salto algumas horas depois. Eu perguntei se ele estava bem, ele respondeu que estava muito feliz. Não imaginei que perderia meu filho algumas horas depois, no terceiro salto – disse.
De acordo com uma nota divulgada pelo Comando Militar do Leste (CML), Pedro ficou preso à aeronave durante o salto e, mesmo com procedimentos de emergência, a abertura do paraquedas não ocorreu corretamente. O soldado recebeu atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos graves. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar as circunstâncias do fato.
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