
O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) apresentou a nova estrutura da Fundação Florestal, entidade vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) responsável pela gestão das Unidades de Conservação do estado de São Paulo. A apresentação foi realizada pelo diretor executivo da Fundação Florestal , Rodrigo Levkovicz, que reforçou o compromisso do Governo do Estado com a proteção ambiental, a modernização da gestão pública e a adaptação aos impactos das mudanças climáticas.
Durante sua 452ª reunião, nesta quarta-feira (28), o diretor detalhou como o novo modelo organizacional permitirá uma atuação mais estratégica, integrada e eficiente, especialmente diante do aumento de eventos climáticos extremos e dos desafios associados à conservação da biodiversidade.
De acordo com marcos internacionais sobre clima e biodiversidade e do atual cenário de crise climática, a Fundação Florestal passou a alinhar suas diretrizes às políticas públicas de conservação, restauração ecológica, uso sustentável dos recursos naturais e transição energética. A reestruturação administrativa tem como principais objetivos qualificar o processo de tomada de decisões, institucionalizar o conhecimento técnico, fortalecer as Unidades de Conservação (UCs) e garantir maior escala, coerência e efetividade às políticas ambientais do Estado.
Segundo Levkovicz, a nova estrutura permite que o órgão esteja mais bem preparado para responder a demandas cada vez mais específicas. “Há temas que exigem dedicação integral e equipes especializadas. Sabemos dos desafios que a Fundação enfrenta neste momento, mas contamos com um corpo técnico altamente qualificado para superá-los. As instituições evoluem a partir da realidade que vivem, e foi exatamente isso que motivou essa mudança: tínhamos uma estrutura e agora passamos a contar com outra, mais adequada ao presente”, destacou.
Rodrigo ressaltou ainda que o processo de modernização foi construído com base na escuta ativa dos servidores, em estudos de modelos de gestão, além do diálogo com os conselhos das Unidades de Conservação. A nova estrutura está organizada a partir de eixos estratégicos como biodiversidade, bioeconomia, ordenamento territorial, descentralização, governança institucional, parcerias e projetos ESG, quadro técnico multidisciplinar, inovação tecnológica e proteção ambiental.
A presidente do conselho e secretária da Semil, Natália Resende, parabenizou pela nova estrutura e destacou o importante papel que a Fundação tem no estado de SP e o quanto essa mudança auxiliará no cumprimento dos novos objetivos definidos pelo órgão: “Este é um avanço significativo e um marco na trajetória da Fundação Florestal. O trabalho desenvolvido pelo órgão tem impacto direto na proteção ambiental e na qualidade de vida da população, e isso precisa ser reconhecido. A reestruturação era necessária para que possamos cumprir nossos objetivos com mais eficiência. Estamos construindo um novo cenário, no qual a Fundação se consolida como referência, com o apoio permanente da Semil, hoje e no futuro.”
A reestruturação ganhou respaldo legal em setembro de 2025, com a publicação do Decreto nº 69.902, que estabeleceu o novo Quadro de Pessoal da Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo. A medida definiu as bases legais, técnicas e organizacionais necessárias para que o órgão se adequasse às novas demandas impostas pela crise climática, fortalecendo sua capacidade de atuação.
Plástico como parte da Economia Circular
Ainda durante a reunião, o Instituto Soul do Plástico apresentou um projeto de economia circular desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Mairiporã. O diretor da entidade, Rui Katsuno, destacou que apenas 21% do plástico pós-consumo é reciclado atualmente no Brasil. Anualmente o país gera cerca de 3,6 milhões de toneladas desse tipo de resíduo.
Katsuno ressaltou também o potencial econômico do setor: a reciclagem de plásticos movimenta atualmente cerca de R$ 4 bilhões por ano, mas poderia alcançar até R$ 35 bilhões caso o reaproveitamento fosse ampliado. Hoje, a cadeia da reciclagem já é responsável por cerca de 800 mil empregos diretos e indiretos, incluindo catadores e cooperativas, reforçando seu papel estratégico na geração de renda, inclusão social e sustentabilidade ambiental.
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