
O agronegócio brasileiro segue em expansão e, com ele, cresce também a complexidade das relações contratuais que sustentam a produção rural. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor avançou 6,49% no primeiro trimestre de 2025, alcançando R$ 210,6 bilhões. O ramo agrícola registrou crescimento de 5,59%, somando R$ 125,4 bilhões, enquanto o pecuário teve alta de 8,50%, atingindo R$ 85,2 bilhões.
Nesse cenário de expansão, a segurança jurídica torna-se um fator estratégico para produtores e empresas, especialmente diante da necessidade de contratos sólidos e bem estruturados.
De acordo com o advogado Flávio Maluf de Carvalho, especialista em contratos e direito agrário, a atuação consultiva pode ser decisiva para evitar litígios futuros. "Um contrato agrário bem feito não é despesa, é o melhor seguro que o produtor rural pode contratar", afirma.
Ele alerta para o uso de modelos prontos ou documentos obtidos na internet, prática comum no campo, mas que ignora normas obrigatórias previstas no Estatuto da Terra (Lei 4.504/64) e no Decreto 59.566/66. "Um produtor pode ser surpreendido com o juiz decretando inválida uma cláusula que ambas as partes concordaram, se esta for contra a lei", acrescenta.
Entre os riscos mais recorrentes estão os contratos de arrendamento, parceria rural e comodato agrário. No arrendamento, Carvalho ressalta que a lei protege fortemente o arrendatário. "Se não houver previsão contratual sobre benfeitorias, o direito de retenção pode impedir a devolução da propriedade até que haja indenização", explica.
"Já na parceria agrícola, o risco é a simulação: quando o contrato prevê apenas ganhos fixos ao proprietário, sem partilha de prejuízos, a Receita Federal pode entender a relação como arrendamento disfarçado, com tributação mais pesada. No comodato, usado em propriedades menores, o perigo é o usucapião, caso não haja contrato escrito com prazo determinado e registro das renovações", completa.
Acompanhamento contínuo fortalece contratos
Segundo o advogado, a consultoria jurídica também tem se mostrado essencial em contratos de longo prazo ou que envolvem investimentos elevados. Para ele, nesses casos o documento passa a ser uma matriz de alocação de riscos.
"Precisamos de engenharia jurídica", afirma. Ele cita como exemplo a criação de cláusulas de Hardship, que obrigam as partes a renegociar em situações de onerosidade excessiva, como variações cambiais ou oscilações drásticas no preço de insumos e commodities.
Outro ponto é a proteção de investimentos, como sistemas de irrigação ou construções de silos, que devem ser previstos em contrato e averbados na matrícula do imóvel, garantindo validade mesmo em caso de venda da propriedade.
Carvalho observa que o avanço tecnológico no campo também tem exigido cada vez mais atenção. "Tratores que coletam dados do solo e sementes com biotecnologia patenteada trazem novos desafios. A atuação consultiva permite definir cláusulas sobre propriedade intelectual e proteção de dados, estabelecendo responsabilidades quanto ao pagamento de royalties e ao uso de informações agronômicas."
Além da elaboração inicial, o acompanhamento jurídico contínuo é apontado como diferencial. A gestão de prazos, a formalização de aditivos e o monitoramento da solvência das partes reduzem riscos de inadimplência e de recuperação judicial.
"Aos primeiros sinais de insolvência, o jurídico age para constituir garantias reais ou rescindir o contrato antes do pedido de Recuperação Judicial, tentando salvar o crédito ou a posse da terra", explica Carvalho.
Outro aspecto relevante destacado pelo advogado é o alinhamento de expectativas entre as partes, especialmente em contratos que envolvem diferentes regiões do país. "Divergências sobre unidades de medida, como o Alqueire Paulista (2,42 hectares) e o Alqueire Mineiro (4,84 hectares), podem gerar distorções significativas. A consultoria pode eliminar essas diferenças ao padronizar pelo Sistema Métrico Decimal e incluir mapas georreferenciados, assegurando clareza sobre limites e responsabilidades."
A profissionalização das relações no campo também se conecta às práticas de ESG (ambiental, social e de governança). Para Carvalho, contratos bem estruturados funcionam como instrumentos de gestão e podem abrir portas para linhas de crédito mais baratas e títulos verdes.
"A advocacia consultiva transforma a fazenda em Empresa Rural. O contrato deixa de ser um papel e vira uma ferramenta de gestão", afirma.
Ele lembra que, no paradigma ESG, contratos agrários sustentáveis são vistos como passaporte para financiamentos com juros subsidiados, como o Plano Safra ABC+ e para emissão de CPR Verde. "Se o contrato do produtor rural provar que a produção é sustentável, o dinheiro fica mais barato", conclui o especialista.
Negócios Conheça o NoPing Boost FPS para jogos online
Negócios Marca britânica Lord Quither lança perfume no Brasil
Negócios BRCALL destaca importância da qualidade em cada atendimento
Negócios Servidores de SP têm oftalmologia especializada no interior
Negócios Agências especializadas fortalecem gestão de viagens
Negócios Diogo Ferraz participa do Prêmio Sindirepa-SP Negócios Brasil mantém oportunidades apesar de desafios globais Debate promovido pelo BFBC analisou os impactos da geopolítica, das eleições de 2026 e das relações comerciais com os Estados Unidos sobre a econom...
Negócios Socorro a empresas aéreas é estratégico para o turismo Mín. 17° Máx. 30°
