
O Detran-SP prepara para este ano uma nova etapa de evolução do Infosiga, com uso intensivo de Inteligência Artificial para tornar a análise de sinistros de trânsito mais preditiva e menos reativa. A proposta é ampliar a leitura de bases de dados hoje existentes, a partir de novos métodos, permitindo identificar padrões de risco antes que eles resultem em mortes ou lesões graves. O anúncio foi feito na ANDtech, o maior encontro nacional dedicado à tecnologia, inovação e transformação digital no trânsito, que ocorreu esta semana na capital paulista.
O novo modelo passará a identificar situações que hoje têm baixa relevância isolada, mas que podem indicar risco futuro elevado. A lógica é permitir que padrões recorrentes – como colisões sem vítimas em determinados pontos – passem a ser interpretados como sinais de alerta para intervenções preventivas.
“A nova versão do Infosiga busca avançar para modelos preditivos, usando o histórico de dados para orientar decisões futuras. A ideia é deixar de olhar apenas para onde as mortes aconteceram e passar a identificar onde agir antes que elas ocorram, direcionando melhor fiscalização, campanhas educativas e de comunicação, além dos recursos públicos”, afirmou Pedro Borges, coordenador do Observatório de Segurança no Trânsito do Detran-SP.
O desenvolvimento é estruturado em parceria técnica com a Prodesp, que atua como provedor tecnológico do Detran-SP, apoiando e viabilizando a transformação digital, automação de serviços e integração de sistemas. Empresas privadas com experiência internacional também oferecem infraestrutura e tecnologias necessárias ao desenvolvimento do Infosiga 4.0. A expectativa é consolidar até o fim do ano uma nova camada analítica.
Outro ponto em desenvolvimento é o novo aplicativo voltado ao registro de sinistros de trânsito, com objetivo de elevar a qualidade do dado coletado em campo. A ferramenta deverá ser utilizada inicialmente pela Polícia Militar nas ocorrências e também poderá ser disponibilizada às prefeituras integradas ao Sistran.
A principal mudança é que o agente responsável pelo atendimento passará a contar com um formulário digital mais detalhado e estruturado, com campos que hoje não existem no sistema atual. Isso permitirá registrar variáveis que hoje escapam da base estatística, como a presença de veículos autopropelidos, fatores de risco associados ao sinistro, como alcoolemia e velocidade, além da geolocalização exata.
“O Detran-SP aproveita a oportunidade para redesenhar a política pública em alinhamento com as boas práticas consolidadas internacionalmente para salvar vidas. Como exemplo, estamos identificando formas de adaptar metodologias renomadas de classificação de vítimas de trânsito, como a metodologia KABCO, desenvolvida e utilizada nos Estados Unidos”, explicou Roberta Mantovani, diretora de Segurança Viária do Detran-SP.
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