
O grande campeão dos pesos pesados Muhammad Ali tinha 12 anos quando procurou o treinador Joe Martin. Queria aprender a lutar para dar uma surra no ladrão que havia levado sua bicicleta. Martin o convenceu a canalizar a energia para os ringues, o quadrado de lona onde Ali faria a carreira mais brilhante do mundo do boxe.
Aos 26 anos, a boxeadora Grace Kelly Evangelista, fã de Muhammad Ali “por suas lutas dentro e fora do ringue”, cursa o terceiro semestre de Gestão Desportiva e Lazer na Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Esportes, na Capital. Sua trajetória, nos estudos e nos ringues, começou alguns anos antes, quando a irmã mais velha fez para ela e para duas irmãs mais novas o papel de Joe Martin, não para que se dedicassem ao boxe, mas para que ingressassem em uma Escola Técnica Estadual (Etec).
Grace e as irmãs já haviam sido conquistadas pelos esportes por meio de um projeto social da sua cidade, Mogi das Cruzes. “Começamos juntas e experimentamos um pouquinho de tudo, até que cada uma se firmou em uma modalidade”, conta.
Kerollaine, de 22 anos, se formou na Etec Esportes – Curt Otto Baumgart no primeiro semestre de 2025 e também é pugilista; Indrid, 24 anos, lutadora de karatê, concluiu o curso no segundo semestre de 2025. Grace foi a primeira a entrar, em 2019, e se formou com o desejo de continuar os estudos. “A Etec foi um divisor de águas na minha vida, eu aprendi muito e, graças ao curso, entendi o que eu queria como profissão”.
Na sequência, a estudante entrou na Fatec, sem deixar os ringues, que ela conheceu aos 22 anos. “Estou amando o curso”, comemora. “A Fatec abriu minha mente para os assuntos relacionados à área do esporte. Além disso, os professores são maravilhosos e comprometidos”.
Coordenador do curso de Educação Física da unidade, Vinícius Hirota lembra que, no Brasil, há poucos atletas do boxe e, portanto, também são escassas as oportunidades. “Para esses atletas, o caminho é o da persistência, da motivação e do desempenho – caso da Grace”, elogia.
Hoje Grace equilibra estudo, faculdade e campeonatos. Já venceu a Taça São Paulo e ficou em segundo lugar nos Jogos Abertos. Aponta como referência Beatriz Ferreira, boxadora que vem colecionado títulos internacionais, e treina com Washington Silva, o pugilista que ela mais admira, tendo na ponta da língua todas as suas conquistas: “Ele é cinco vezes campeão brasileiro, é campeão sul-americano e pan-americano, disputou duas olimpíadas, ficou dez anos na seleção brasileira”, enumera a aluna, que representa o Esporte Clube Corínthians, como o mestre.
Nos dias 28 e 29 de março, Grace disputa o Campeonato Paulista, que pode lhe render uma credencial para o Campeonato Brasileiro a ser disputado na cidade paranaense de Foz do Iguaçu.
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