
A queda no número de passageiros e o aumento expressivo do preço do diesel têm pressionado o transporte coletivo urbano de Cachoeiro de Itapemirim em 2026. Dados do setor apontam redução de mais de 5% na demanda pagante no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025, enquanto o combustível registrou alta de cerca de 33% entre dezembro e março.
O cenário local acompanha uma tendência observada em outras cidades brasileiras. Na Região Metropolitana, o Sistema Transcol também registrou retração de aproximadamente 5,75% no número de usuários, fenômeno associado ao avanço de alternativas como transporte por aplicativo, bicicletas elétricas e maior uso de veículos particulares.
Com menos passageiros, a arrecadação tarifária — principal fonte de custeio do sistema — é diretamente afetada. Ao mesmo tempo, o diesel, que representa cerca de 30% dos custos operacionais, sofreu impacto de instabilidades no mercado internacional, agravadas por tensões recentes no Oriente Médio. Segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o preço médio do combustível subiu mais de 24% no país desde o início do conflito.

Além da alta, empresas relatam dificuldades de abastecimento e episódios de escassez, o que compromete a rotina operacional. O resultado é um cenário de pressão crescente para manter a regularidade do serviço diante da combinação de receita em queda e custos elevados.
Em Cachoeiro, o reajuste tarifário aplicado em 2026 foi de 2,26%, percentual abaixo da inflação e insuficiente para compensar o aumento dos insumos. A situação reforça o debate sobre a sustentabilidade do transporte coletivo e a necessidade de revisão do modelo de financiamento, tema que deve ganhar força ao longo do ano.
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