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Uso de caneta emagrecedora pode elevar risco de pancreatite

Brasil registra casos suspeitos em usuários de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, e estudo aponta possível aumento discreto no risco da comp...

29/04/2026 às 15h42
Por: Cidade na Rede Fonte: Agência Dino
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Imagem de Freepik
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Os agonistas do receptor GLP-1, medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, conhecidos popularmente também como canetas emagrecedoras, têm sido alvo de alertas por autoridades de saúde sobre uma possível associação com casos de pancreatite aguda, segundo "informações publicadas pelo portal Metrópoles".

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode ser grave e, em situações extremas, fatal. No Brasil, foram registradas seis mortes e 145 notificações de pancreatite em usuários desses medicamentos entre 2020 e dezembro de 2025, classificados como casos suspeitos notificados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disponíveis no sistema VigiMed.

O Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião do aparelho digestivo, especialista em cirurgia bariátrica e metabólica e fundador do Instituto Medicina em Foco, alerta que, embora o risco absoluto de pancreatite siga sendo incomum, a decisão médica para o tratamento deve ser individualizada diante de comorbidades metabólicas e do contexto clínico de cada paciente.

Uma "análise publicada na Wiley Online Library" indica a necessidade de cautela em pacientes com maior risco prévio de pancreatite, com recomendação de suspensão do tratamento em caso de sintomas sugestivos da doença. O trabalho conclui que há um possível aumento do risco de pancreatite associado ao uso de agonistas do receptor GLP-1, efeito que tende a se reduzir quando considerado o uso de outros medicamentos.

Para o médico do Instituto Medicina em Foco, os fatores que aumentam o risco de complicações pancreáticas durante o uso de canetas emagrecedoras estão relacionados a histórico familiar e doenças pré-existentes. "O uso de agonistas de GLP-1 deve ser mais criterioso em pacientes com histórico pessoal de pancreatite, doença biliar, hipertrigliceridemia significativa, etilismo e outras condições que já aumentam o risco pancreático".

Sinais de alerta e procedimento recomendado

De acordo com o Dr. Rodrigo, dor abdominal intensa e persistente — especialmente na parte superior do abdome, com possível irradiação para as costas —, além de náuseas e vômitos significativos, são sinais de alerta que justificam a busca imediata por atendimento médico. Segundo ele, esses sintomas podem ir além dos efeitos gastrointestinais comuns do início do tratamento e levantar suspeita de pancreatite aguda.

"As bulas atuais de medicamentos como semaglutida e tirzepatida orientam atenção para esse quadro. Se houver suspeita de pancreatite, a orientação é suspender imediatamente a medicação e procurar atendimento médico para avaliação adequada. Se o diagnóstico for confirmado, a recomendação das bulas é não reiniciar o medicamento", indica o profissional.

De acordo com o cirurgião, o acompanhamento clínico regular é fundamental para diferenciar efeitos esperados de sinais de complicação, ajustar dose e reduzir atrasos no reconhecimento de eventos adversos mais relevantes. Além disso, serve para monitorar uso inadequado, automedicação, tolerabilidade, adesão, resposta de peso e controle metabólico.

Acompanhamento clínico regular

O médico e fundador do Instituto Medicina em Foco ressalta que, antes de iniciar o uso desses medicamentos, deve ser feita uma avaliação clínica completa, com revisão de histórico, comorbidades, medicações em uso e fatores de risco metabólicos e biliares. Durante o tratamento, o monitoramento deve ser individualizado conforme o perfil do paciente.

"Não se deve basear a segurança apenas em enzimas pancreáticas isoladas, porque amilase e lipase podem variar sem significar pancreatite. O mais importante continua sendo a correlação com sintomas e avaliação médica. O tratamento costuma ser muito útil quando bem indicado, mas precisa ser conduzido com critério e vigilância clínica", orienta o especialista.

O Dr. Rodrigo Barbosa observa que, para reduzir o risco de complicações e manter os benefícios do tratamento, os pacientes devem usar a medicação apenas com prescrição e seguimento médico, respeitar escalonamento de dose, informar histórico de pancreatite ou doença da vesícula, evitar automedicação e produtos de origem duvidosa, manter acompanhamento nutricional e procurar avaliação rapidamente se surgirem sinais de alerta.

A Anvisa anunciou medidas para reforçar a segurança no uso de medicamentos injetáveis agonistas de GLP-1. As ações incluem revisão das regras para manipulação, intensificação da fiscalização em farmácias e empresas importadoras, além de cooperação com vigilâncias sanitárias estaduais e agências internacionais.

"As canetas emagrecedoras representam um avanço importante no tratamento da obesidade e das doenças metabólicas, mas não devem ser banalizadas. O uso seguro depende de indicação correta, acompanhamento médico regular e atenção imediata a sinais de alerta que possam indicar complicações", conclui o cirurgião.

Para mais informações, basta acessar a página do Instituto Medicina em Foco.

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