
O 1º congresso multidisciplinar de doenças da aorta, Aorta Sem Fronteiras, reúne cirurgiões vasculares, endovasculares e outros profissionais de saúde para discutir avanços no diagnóstico e tratamento das patologias da aorta. O evento surge em resposta a dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS), que apontam 43.767 óbitos por aneurisma e dissecção da aorta entre 2016 e 2021, equivalente a quase 20 mortes diárias, e a taxas de mortalidade superiores a 80% em casos de ruptura.
Especialistas destacam que doenças da aorta são, em geral, silenciosas e de difícil diagnóstico. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), mais da metade dos pacientes que sofrem ruptura morrem antes de chegar ao hospital. Já quando o paciente chega vivo, a cirurgia de emergência ainda apresenta alto risco de mortalidade.
Diagnóstico e risco
O aneurisma da aorta resulta do enfraquecimento da parede arterial por degeneração das fibras de colágeno e elásticas. Esse processo de dilatação progressiva não possui tratamento de regeneração e o manejo concentra‑se no controle de fatores de risco como tabagismo, hipertensão arterial e doença pulmonar obstrutiva crônica. Por não apresentar sintomas até a ocorrência de complicações graves, o aneurisma é frequentemente descrito como uma "bomba‑relógio silenciosa".
Com o congresso, os médicos cirurgiões vasculares e endovasculares Fábio Augusto Cypreste, Fábio Lemos Campedelli e Carlos Eduardo Amorelli, idealizadores do evento, destacam que o diagnóstico precoce continua sendo o maior desafio. Dos óbitos registrados no levantamento do SIM/DATASUS, mais da metade ocorreu em pacientes com 70 anos ou mais e aproximadamente 60% das vítimas eram homens, reforçando a necessidade de monitoramento de grupos de risco.
"As doenças da aorta ainda apresentam elevada mortalidade porque muitos pacientes só descobrem o problema quando ocorre uma complicação grave", afirma Cypreste. Diante disso, o médico ressalta a importância de compartilhar conhecimento e ampliar o acesso a tecnologias que possibilitam diagnósticos mais precoces e tratamentos menos invasivos.
Também com esse objetivo, a programação inclui palestras, discussão de casos complexos, mesas‑redondas e apresentações de especialistas reconhecidos internacionalmente, abordando aneurismas, dissecções, técnicas endovasculares, planejamento cirúrgico, novas próteses e estratégias para reduzir complicações.
Segundo Fábio Lemos Campedelli, também é fundamental debater como a evolução tecnológica exige atualização constante. "Hoje conseguimos tratar muitos aneurismas por via endovascular, com procedimentos menos invasivos, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Mas a tecnologia só faz diferença quando o médico está preparado para utilizá‑la da melhor forma", pontua.
Por sua vez, Carlos Eduardo Amorelli enfatiza a necessidade de uma abordagem integrada para oferecer o melhor resultado ao paciente. "As doenças da aorta exigem uma colaboração entre diferentes especialidades. O congresso foi pensado para promover essa troca e estimular a construção de soluções mais eficientes para pacientes complexos", afirma.
Organizado pela Angiogyn, clínica de cirurgia vascular fundada em 2010 em Goiânia, o encontro reforça a inserção da capital goiana no circuito nacional de discussão sobre doenças da aorta, contribuindo para a disseminação de protocolos modernos de diagnóstico precoce e tratamento, com potencial de melhorar a sobrevida dos pacientes.
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