
Com três décadas de atuação em Portugal, o escritório de arquitetura Contacto Atlântico escolhe São Paulo para abrir sua primeira sede fora do país e iniciar uma nova etapa de expansão. A estreia acontece em Pinheiros, um dos bairros mais cobiçados da capital e também um dos que mais vêm se verticalizando nos últimos anos. Próximo ao Largo da Batata, o primeiro empreendimento faz diferente ao reunir oito casas de alto padrão em uma composição de baixa altura, concebida como alternativa ao modelo das torres residenciais.
A nova operação é inaugurada em um momento de projeção internacional. Em julho de 2026, o time foi vencedor da premiação DNA Paris Design Awards, na categoria Arquitetura/Reabilitação, pelo projeto Zara Rossio, em Lisboa. A distinção reconhece uma das principais especialidades do Contacto Atlântico: adaptar edifícios históricos a novos usos sem apagar sua identidade.
Fundado em 1996 pelo arquiteto André Caiado, o escritório reúne em seu portfólio trabalhos residenciais, corporativos e comerciais, além de uma atuação consolidada em retrofit e preservação do patrimônio construído.
"O Brasil é um país com enorme potencial urbano e humano. São Paulo, em especial, apresenta uma complexidade muito interessante para a arquitetura. Trabalhei durante dez anos na cidade, em diferentes áreas e escalas de projeto. Agora, voltar com a experiência adquirida na Europa é uma oportunidade de contribuir com um olhar mais técnico, contemporâneo e atento à história e às particularidades do contexto brasileiro", afirma Igor Tsopanoglou, sócio-diretor do Contacto Atlântico no Brasil.
Estreia no mercado brasileiro
Em uma região marcada pela intensa verticalização e pela chegada de empreendimentos de uso misto, o residencial adota uma escala mais baixa, reservada e próxima da experiência de morar em uma casa.
As oito unidades estão distribuídas em quatro volumes independentes, organizados em pares sobrepostos. As moradias inferiores ocupam o térreo e o primeiro pavimento, enquanto as superiores se desenvolvem entre o segundo e o terceiro andar.
A implantação concilia privacidade, autonomia e presença do verde: as casas térreas contam com jardins e as unidades dos pavimentos superiores, com terraços privativos. No nível da rua, a fachada ativa estabelece uma relação mais direta com o entorno e evita a lógica dos condomínios fechados em si mesmos.
"A ideia foi criar casas dentro da cidade, com jardim, privacidade e uma relação mais generosa com a rua. Procuramos responder às características de Pinheiros por meio de uma arquitetura de menor escala, integrada ao bairro e pensada para a vida cotidiana dos moradores", explica Tsopanoglou.
Reabilitar sem apagar a história
O reconhecimento concedido à Zara Rossio reforça uma especialidade construída ao longo de três décadas pelo escritório: atualizar construções antigas sem eliminar os elementos que lhes conferem identidade. Instalada em um edifício com mais de 200 anos, a intervenção transformou o imóvel na segunda maior loja da Zara no mundo, preservando seu caráter pombalino e os principais traços da arquitetura original.
O portfólio inclui ainda trabalhos em edifícios dos séculos XVIII e XIX, entre eles a reabilitação e ampliação do antigo prédio do Diário de Notícias, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Ao dar novos usos a essas estruturas, o Contacto Atlântico prolonga sua vida útil e mantém viva parte da memória das cidades.
"Grande parte do tecido urbano foi construída antes dos anos 1980 e precisa ser atualizada para responder às exigências contemporâneas de uso, conforto, eficiência energética e tecnologia. Trabalhar com retrofit é também uma forma de preservar a cultura, a tradição e a história, valores que são muito importantes para nós", ressalta André Caiado, fundador e CEO do escritório.
Portfólio de grifes
Além do trabalho com patrimônio, o Contacto Atlântico desenvolveu espaços para grifes como Prada, Louis Vuitton, Armani, Miu Miu e Max Mara, traduzindo a identidade global de cada uma sem perder de vista as particularidades culturais e arquitetônicas de cada destino.
"Quando trabalhamos com uma marca, procuramos quase sempre uma adaptação ao lugar onde ela se instala. Existe uma relação simbiótica: a marca traz reconhecimento internacional, mas a cultura e a cidade oferecem características únicas. Nosso papel é equilibrar os valores locais com os objetivos da marca, criando projetos que contam histórias e se tornam experiências", acentua André Caiado.
Formada por arquitetos, engenheiros, designers de interiores e paisagistas, a equipe acompanha cada trabalho do conceito à execução. Ferramentas como BIM, modelagem 3D e realidade virtual ampliam a precisão e a coordenação entre as diferentes áreas, enquanto a eficiência energética, a escolha criteriosa de materiais e a redução do impacto ambiental orientam as decisões.
A partir da nova sede, o Contacto Atlântico passa a aplicar o conhecimento desenvolvido em Portugal às particularidades do mercado brasileiro. O residencial em Pinheiros marca o início dessa atuação, aproximando a experiência internacional da equipe dos modos de morar, trabalhar e transformar edifícios no país.
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