
Um apartamento anunciado no Airbnb recebe em um ano mais gente do que a maioria das casas recebe em uma década. Cada hóspede chega com expectativa própria, usa tudo, e vai embora deixando uma nota de um a cinco que fica pública. Foi esse mecanismo, repetido milhões de vezes, que construiu o aluguel por temporada no Brasil. Estudo da FGV Projetos encomendado pelo Airbnb calcula que a atividade movimentou R$ 113,2 bilhões na economia brasileira em 2025, contribuiu com R$ 62,8 bilhões para o PIB e sustentou quase 704 mil postos de trabalho. As noites reservadas por brasileiros cresceram mais de 20% no primeiro trimestre de 2026, pelo terceiro trimestre seguido.
Nada disso funciona sem confiança, e a confiança nesse mercado tem forma de estrelinha. Os hóspedes já deixaram mais de 371 milhões de avaliações na plataforma, segundo o próprio Airbnb. "A base da confiança são as avaliações", resumiu Catherine Powell, diretora global de hospedagem da empresa, à CNN Brasil, ao apresentar o selo de Preferidos dos Hóspedes. A nota define posição na busca, define o preço que o anfitrião consegue cobrar e define se o imóvel entra nessa lista. O Booking trabalha com lógica parecida de notas e selos. Anúncio bem avaliado aparece primeiro. Anúncio com nota caindo some.
A reclamação começa no detalhe
A pergunta que mais chega a quem vende pra esse público é a mesma há anos: o que não pode faltar em um apartamento de temporada? A resposta é menos óbvia do que parece, porque a avaliação ruim quase nunca vem do que o anfitrião imaginava. Localização e tamanho o hóspede já viu no anúncio. O que ele descobre na hora é a faca que não corta, a panela com o fundo descascando, a tábua trincada, o copo que veio lascado. Uma pesquisa do próprio Airbnb apontou que cerca de um quarto dos hóspedes relata problema com limpeza, e os guias voltados a anfitriões repetem o diagnóstico: utensílio básico faltando ou em mau estado está entre as queixas que mais aparecem nos comentários.
O problema é de escala. Um kit de utensílios que dura três anos numa casa de família dura três meses num apartamento com hóspede trocando toda semana. Cada pessoa usa de um jeito, ninguém tem o cuidado que teria com o que é seu, e a peça barata que parecia boa compra na montagem vira dor de cabeça e comentário negativo. Lucas Maia, sócio-fundador da LUMAI, marca brasileira de utilidades domésticas, vê o padrão entre os anfitriões que compram da marca e costuma dar o mesmo conselho. "Tem um erro clássico de quem monta apartamento pra colocar no Airbnb ou no Booking: comprar tudo pelo mais barato, porque não é pra ele. Aí em poucos meses está trocando faca, trocando panela, trocando organizador, e o hóspede percebe. Peça gasta e mal cuidada desvaloriza o imóvel inteiro na cabeça de quem está lá dentro. O que a gente vem observando é uma virada nisso. O proprietário está entendendo que o item de melhor custo-benefício sai mais barato no fim, porque dura mais e não gera reclamação."
O selo que o hóspede procura antes do preço
O Airbnb vem criando cada vez mais mecanismos pra ajudar o hóspede a filtrar. Nota por categoria, comentário verificado, resposta pública do anfitrião e, desde 2023, o selo de Preferidos dos Hóspedes, reservado a acomodações com média acima de 4,9 estrelas e no máximo 1% de cancelamentos e reclamações. O detalhe que torna o selo tão disputado está em outro número: quase 89% dos anúncios brasileiros já recebem cinco estrelas, segundo o Relatório Global de Qualidade divulgado pelo Airbnb em 2025. Com tanta gente no topo, a nota sozinha deixou de separar os bons dos ótimos, e o selo virou o desempate. Boa parte dos viajantes já usa esse filtro como ponto de partida na busca, e aceita pagar mais por um apartamento que carrega a marca do que economizar num sem histórico e correr o risco de uma estadia ruim. Na prática, o selo virou um degrau de preço, e ele só chega pra quem mantém o apartamento funcionando de verdade, hóspede após hóspede.
Pra Maia, isso muda o jeito de comprar. "Quem quer chegar nesse selo precisa pesquisar marca confiável, que tenha produto de qualidade e que aguente a rotatividade. Não é o mesmo critério de quem monta a própria casa. Na LUMAI a gente foca justamente nesse público, o proprietário que quer rentabilizar o imóvel e ao mesmo tempo quer que o hóspede saia satisfeito, deixando avaliação boa e indicando pra outras pessoas. Uma coisa puxa a outra." A LUMAI mantém uma linha voltada a quem está montando ou renovando apartamento para Airbnb, Booking e outras plataformas de temporada, com itens de cozinha, de banheiro e de organização pra casa em geral, em bambu, silicone e aço inoxidável, e já atende empresas que fazem gestão de dezenas de imóveis ao mesmo tempo, que compram pra equipar unidade por unidade dentro de um mesmo padrão.
O que o hóspede lembra
Anfitrião experiente costuma dizer que o hóspede não avalia o apartamento, avalia a sensação de ter sido esperado. Toalha dobrada, cozinha onde dá pra fazer um jantar de verdade sem improviso, banheiro com lugar pra cada coisa. São detalhes baratos de acertar e caros de errar, porque a avaliação de duas estrelas fica lá por meses, ao alcance de cada pessoa que abrir o anúncio.
O aluguel por temporada vai continuar crescendo no Brasil, com gestores administrando dezenas de imóveis e anfitriões tratando o apartamento como negócio. Nesse cenário, a diferença entre um anúncio cheio e um vazio raramente está no metro quadrado. Está no que o hóspede encontra quando abre a gaveta.
Economia WR Construtora tem alta com empreendimentos no Leste de MG
Economia Faculdade Cultura Inglesa amplia cursos para novas demandas
Economia Feicon Rio conecta compradores e expositores no estado
Economia Expansão de cursos de Medicina muda mapa de formação
Economia Skala investe R$ 150 milhões em nova fábrica em MG
Economia Planos por adesão surgem como alternativa mais acessível
Economia Indústria de bebidas economiza R$ 283 mil ao ano com Klüber Economia Longas Horas, Mudança de Postura: Sihoo Apresenta Cadeiras de Escritório Ergonômicas da Última Geração na ORGATEC 2026 Economia YYForce Fecha Contratos Plurianuais de Serviços de Gestão de Instalações em Singapura no Valor de S$ 15,96 milhões Novos contratos ampliam a visibilidade dos negócios contratados em todas as operações de gestão integrada de instalações da YYForce em Singapura, com todos os contratos tendo início em outubro de 2026 com períodos principais de prestação de serviç... Mín. 22° Máx. 39°