
A advogada presa em flagrante durante uma audiência no Fórum de Castelo, na última terça-feira (12), por racismo contra uma mulher, utilizou as redes sociais para se defender e afirma ter sido estuprada aos seis anos.
De acordo com o boletim de ocorrências, durante audiência de conciliação no Juizado Especial do Fórum de Castelo, a advogada ofendeu uma das partes com as seguintes palavras: favelada, pobre, preta e mau pagadora. A conciliadora Ana Carolina Pereira de imediato pediu apoio policial e constou todo o fato na ata do termo de conciliação.
A advogada foi conduzida para o DPJ Cachoeiro de Itapemirim, onde foi autuada em flagrante, mas posteriormente colocada em liberdade.
A vítima conversou com a reportagem e está extremamente abalada com o ocorrido. "Não consegui digerir ainda isso. Estou me sentindo um lixo", disse.
O que diz a advogada
Nesta quinta-feira (14), a advogada utilizou o Facebook para falar sobre o caso, se disse inocente e revelou que foi abusada sexualmente aos seis anos de idade.
“Não queria me pronunciar, mas diante a tantos pré-julgamentos e atropelos que ferem o devido processo legal, eu que sempre amei direito e processo penal, preciso falar, e sobretudo ser ouvida. Algo que desde terça-feira me foi negado”, inicia a publicação.
A advogada se diz vítima e afirma que provará inocência em relação às acusações que resultaram em sua prisão em flagrante.
“Sozinha, difamada, caluniada, stalkeada, no fundo do poço, escrachada pela mídia por um crime bárbaro que não cometi e vou provar a inocência, inclusive a suposta vítima tentou me extorquir R$ 2 mil para não representar. Eu neguei, pois vou provar a minha inocência para honra e glória de deus que conhece a verdade”, diz trecho da publição.
Em outro trecho da publicação a jurista relata casos de violência na família e fala sobre um estupro sofrido na infância. “Como excelente criminalista, vou arguir todas as nulidades e inclusive de ter sido tratada como lixo pelo delegado plantonista e por todo o Estado do Espírito Santo, que sem me conhecer está pedindo para me seguir para debochar de uma inocente, sozinha, pobre, e mulher, pois também sou da favela da Vila Barbosa e passei fome na infância enquanto a minha irmã se masturbava na minha frente quando eu tinha apenas seis anos, e aos seis anos um negro arrancou a minha virgindade e meu pai louco espancava minha mãe e irmãos. Agora que sabem tudo, vão mesmo me apedrejar e julgar, até que eu não aguente e me suicide? Estão felizes com a minha ruína e morte? Reflitam antes de massacrar alguém na internet”.
A advogada afirma que não estava em condições de participar da audiência e que não pretende mais advogar. “Sigo em paz e amparada por nosso Senhor Jesus Cristo, justo juiz, com a certeza de que não quero advogar nunca mais, por isso, a licença médica pedida sexta-feira e erro de ser preposta terça-feira sem qualquer condição psicológica para trabalhar”.
Confusão em bar
Nesta semana, logo após o episódio dentro do Fórum de Castelo, a mesma advogada se envolveu numa confusão dentro de um bar na cidade. Vídeos dela discutindo com outras pessoas circulam nas redes sociais.
Advogado da vítima fala sobre o caso
O advogado da vítima, João Helio Libardi, classifica o caso como extremamente grave, pois de acordo com o relatado perante a autoridade policial, tratam-se de ofensas de cunho pejorativo e preconceituoso relacionado à raça, a cor, a etnia e origem da vítima, configurando vultosa violação a honra subjetiva dela. Veja vídeo abaixo!
“As medidas judiciais cabíveis estão sendo adotadas, objetivando a reparação dos danos causados pela empresa Fisioflexlife Comércio Varejista de Colchoaria - que tem sede na cidade da Serra/ES -, e seus representantes. E espera-se medidas enérgicas do Poder Judiciário para reprimir cenas lamentáveis como essas. Quanto a esfera criminal, os fatos são de extrema gravidade e estão sendo apurados pelas autoridades competentes”, disse o advogado da vítima.
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