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Marcelo Odebrecht revela pagamentos ilícitos à Toffoli quando ele era AGU

Em delação premiada à PGR, o empreiteiro diz que o grupo celebrou acordo durante o segundo mandato de Lula, entre 2007 e 2009

13/07/2020 às 18h36
Por: Cidade na Rede Fonte: Viviane Oliveira
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Marcelo Odebrecht revela pagamentos ilícitos à Toffoli quando ele era AGU

O empreiteiro Marcelo Odebrecht revelou à Procuradoria-Geral da República que o grupo empresarial celebrou um acordo de pagamentos ilícitos com Dias Toffoli, entre 2007 e 2009. Na época Toffoli era o advogado-Geral da União durante o segundo mandato de Lula.

No depoimento, realizado entre os dias 6 e 7 de maio deste ano com autorização do STF, Marcelo foi questionado sobre vários emails encontrados em seu computador apreendido. Sem saber especificar valores ou procedimentos operacionais, o delator atestou a responsabilidade pelos pagamentos a um diretor da Odebrecht e um advogado ligado ao PT, conforme indica o site Vortex após ter acesso ao depoimento.

Com bases nos indícios coletados, os procuradores da Lava Jato na PGR solicitaram a abertura de inquérito por suspeita de corrupção passiva contra o atual presidente do Supremo. O inquérito serve para aprofundar investigações, para que apenas se confirmada a suspeita, seja protocolada denúncia contra o possível crime e os acusados tornam-se réus. Caso não se confirme, o caso é arquivado.

Este pode ser um dos maiores esquemas de corrupção já descobertos. Porém, o procurador-Geral da República, Augusto Aras, e a subprocuradora Lindôra Araújo, atual chefe da Lava Jato na PGR, não se manifestaram quanto a representação do pedido a Corte. Caso se conclua que Marcelo Odebrecht mentiu, ele pode perder os benefícios da delação firmada com a PGR em 2017.

Três fatores de interesse da Odebrecht são apontados com conectores de Toffoli com a empreiteira: o leilão da hidrelétrica de Santo Antônio, o “Refis da crise” (legislações e normativos jurídicos acerca de benefícios fiscais a grandes empresas) e a liberação de recursos do BNDES para uma obra de saneamento em Marília (SP), cidade do ministro.

A primeira suspeita de participação do então AGU em atos possivelmente ilícitos adveio de uma reportagem da revista Crusoé sobre uma investigação em Curitiba, acerca do teor de alguns emails Marcelo Odebrecht. Segundo ele, a referência “amigo do amigo do meu pai” correspondia ao ‘amigo de Emílio Odebrecht’, no caso Lula. E o amigo de Lula era Toffoli, destaca o Vortex.

No email de 13 de julho de 2007, Marcelo perguntara: “Vocês fecharam com o amigo do amigo do meu pai?”. O advogado Adriano Maia, um dos executivos, respondeu: “Em curso”.

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