
O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) apresentou, nesta quarta-feira (16), os dados oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo, referente ao ano de 2020. Sentindo o impacto da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), a economia capixaba registrou queda de -4,4%, em comparação ao ano imediatamente anterior. A retração na Indústria e a perda de participação dos Serviços, especialmente nas atividades de Alojamento e alimentação, contribuíram para o resultado negativo.
O coordenador de Estudos Econômicos do Instituto Jones dos Santos Neves, Antonio Ricardo Freislebem da Rocha, ressaltou que o desempenho das economias mundial, brasileira e capixaba foi afetado pelas políticas de distanciamento social adotadas naquele ano, com o objetivo de minimizar os efeitos da pandemia de Covid-19. A variação nacional recuou -3,3%, valor acompanhado pela região Sudeste.
“É nesse contexto que devem ser compreendidos esses resultados. Foram tomadas medidas importantes de prevenção por vários países desenvolvidos e pelos estados e municípios brasileiros, num período em que ainda não tínhamos o advento das vacinas. No Espírito Santo, o fraco desempenho pode ser observado em sua variação nominal, ao passar de R$ 137,4, bilhões em 2019 para R$ 138,5 bilhões em 2020. O acréscimo de R$ 1,1 bilhão é explicado pela alta de 5,5% do índice de preço (deflator do PIB), que traduz uma ponderação entre todos os preços de produção e todos os gastos com insumos”, explicou Antonio Freislebem.
O estudo mostrou que o Espírito Santo teve o quarto maior decréscimo entre as unidades da federação, ficando à frente apenas dos estados do Rio Grande do Norte (-5,0%), Ceará (-5,7%) e Rio Grande do Sul (-7,2%). Apenas dois estados registraram resultado positivo, sendo Mato Grosso do Sul (+0,2%) e Roraima (+0,1%). O Estado do Mato Grosso se manteve estável (0,0%).
Segundo o diretor de Integração do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, a economia capixaba já sentia os efeitos da pandemia mesmo antes dos primeiros casos de Covid-19 serem registrados no Brasil.
“Ainda no final de 2019, com o surgimento dos primeiros casos de Covid-19, a China começou a adotar as primeiras medidas de distanciamento social em seu território, com rigoroso sistema de lockdown, inclusive fechando indústrias. A economia capixaba já começava a sentir esses impactos, mesmo antes de surgirem casos no Brasil. Isso devido ao grau de abertura da nossa economia, que é o dobro da nacional, e tudo o que ocorre na economia mundial é sentido primeiramente e de forma mais intensa pelo nosso Estado. Além disso, o Espírito Santo ainda sentia, naquele período, os impactos causados pelo desastre de Brumadinho”, observou Pablo Lira.
Ele destacou ainda a importância da gestão de risco adotada pelo Governo do Estado e a vacinação da população para a retomada do crescimento. “Graças à gestão de risco da pandemia, adotada com bases científicas pelo Governo do Espírito Santo, e, na sequência, a oferta de vacinas à população, foi possibilitada uma retomada do crescimento de nossa economia, já no período seguinte, acima da média nacional”, pontuou Lira.
Com o resultado, a participação do Espírito Santo no PIB nacional recuou de 1,9%, em 2019, para 1,8%, em 2020. Apesar dessa perda, o Estado se manteve na 14ª posição no ranking por Unidade da Federação, posição ocupada desde 2016. Em termos nominais, o PIB per capita recuou de R$ 34.177, em 2019, para R$ 34.066, em 2020 (-5,5%). A queda não alterou a colocação no ranking de maiores PIB per capita do País, mantendo o Espírito Santo na 9ª posição.
Análise setorial
Os dados apresentados pelo Instituto Jones mostram ainda que o setor que mais contribuiu para a queda da economia do Espírito Santo, em 2020, foi a Indústria (-9,5%) e, de forma menos intensa, os Serviços (-2,9%). As variações negativas destes setores foram atenuadas pelo ligeiro acréscimo da Agropecuária (+0,2%).
O declínio na Indústria foi ocasionado, sobretudo, pelo fraco desempenho das indústrias extrativas (-20,1%) e, em menor proporção, das indústrias de transformação (-5,0%) e construção (-1,1%). As indústrias extrativas, atividade em que o Espírito Santo tem relevância nacional, tiveram queda em volume, influenciada pela extração de petróleo e gás e pela pelotização de minério de ferro. Apesar da redução em volume, a Indústria ganhou participação na economia capixaba, devido à alta dos preços nas quatro atividades industriais, passando de 26,5%, em 2019, para 27,4%, em 2020.
Nos Serviços, contribuíram para a variação negativa Transporte, armazenagem e correio (-10,4%), Alojamento e alimentação (-26,8%) e Administração, defesa, educação, saúde públicas e seguridade social (-6,1%). As duas primeiras estão entre as atividades mais prejudicadas pelas medidas de isolamento social implementadas em função da pandemia da Covid-19. O setor foi o único que registrou redução em volume e preços do valor adicionado, razão pela qual sua importância na economia estadual recuou de 69,8% para 68,1% entre 2019 e 2020.
Ponto positivo no PIB 2020 do Estado, a Agropecuária apresentou variação em volume de +0,2% influenciada pela Agricultura, inclusive apoio à agricultura e a pós-colheita, que cresceu +0,5%. A Pecuária, inclusive apoio à pecuária, teve acréscimo de +0,7%, determinado pelo aumento na criação de bovinos e outros animais e na criação de aves. Em sentido contrário, a Produção florestal, pesca e aquicultura apresentou retração de -7,7%. Somando os valores das atividades, a Agropecuária ganhou participação na economia Estadual, passando de 3,6% para 4,5%, entre 2019 e 2020.
Cálculo do PIB Estadual
O diretor de Integração Pablo Lira destacou ainda o importante trabalho desempenhado pela equipe de economia do Órgão, com as redes de pesquisas nacionais.
“O PIB 2020 é um produto de informação resultante de uma rede nacional de pesquisa que o Instituto Jones integra, a rede de contas regionais coordenada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Pela participação de longa data, o IJSN foi convidado a integrar duas cadeiras na rede nacional que está revisando a metodologia de cálculo do PIB, visando à otimização e, futuramente, à redução do espaço temporal de divulgação dos resultados oficiais, que hoje é de dois anos”, explicou Lira.
O Produto Interno Bruto dos estados é calculado por meio do Sistema de Contas Regionais, programa de trabalho coordenado pelo IBGE, cuja construção e desenvolvimento é realizado em parceria com os órgãos estaduais de Estatística, as secretarias estaduais de Governo e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). O Instituto Jones dos Santos Neves é o representante oficial do Estado do Espírito Santo no cálculo do indicador.
O Sistema de Contas Regionais estima o PIB pelas óticas da produção e da renda, com metodologia uniforme, por Unidades da Federação, e integrada ao Sistema de Contas Nacionais (SCN) do IBGE.
Para acessar a íntegra do documento “Produto Interno Bruto (PIB) – Espírito Santo 2020”, clique aqui.
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