
O Hospital Estadual Roberto Arnizaut Silvares (HRAS), em São Mateus, realizou, na manhã dessa terça-feira (03), a primeira captação de órgãos de 2023 no Estado. Foram captados um fígado e dois rins, que foram doados a três receptores inscritos na fila de transplantes. O fígado foi doado para um receptor no Espírito Santo e os rins enviados para São Paulo, onde serão ofertados para receptores do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
A coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Espírito Santo (CET-ES), Maria Machado, ressaltou que a decisão de doar os órgãos de um ente querido é um momento difícil para toda a família e nem sempre é simples tomar a decisão. Por isso, a necessidade de conscientização e informação por parte da pessoa em relação à família desde o momento em que decide ser doadora de órgãos.
“É importante esclarecer e conscientizar os familiares para se seja realizado o desejo do seu ente em ser um doador de órgãos. A doação é um ato de amor que salva vidas. Um doador pode salvar até sete pessoas”, esclareceu Maria Machado. Ela acrescentou que o processo para o diagnóstico de Morte Encefálica (ME) é extremamente seguro. Os procedimentos, assegurou a coordenadora, são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sem qualquer despesa para os familiares.
Dados do Sistema Nacional de Transplantes mostram que, no período de 1º de janeiro de 2021 a 03 de janeiro de 2023, o Hospital Roberto Silvares realizou três captações de órgãos. O diretor-geral do hospital, Eduardo Ribeiro Morais, ressaltou a importância do fortalecimento da cultura sobre a doação de órgãos como forma de esperança de vida a quem necessita.
“É importante fortalecer a cultura da doação de órgãos e desconstruir a ideia sobre a morte, afinal, da vida nada levamos, exceto o que somos. Manifestar o desejo em ser doador de órgãos é uma atitude nobre, é ver a vida dando continuidade na existência do outro, é possibilitar a esperança de viver. Nossos sinceros agradecimentos à família que autorizou a doação de órgãos realizada, mesmo diante de tanta dor”, disse Eduardo Morais.
O coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do HRAS, Fábio Furlin, falou sobre o processo da doação de órgãos. “Trata-se de um protocolo bastante complexo e que demanda muita dedicação de toda a equipe multidisciplinar. O índice de rejeição à doação por parte dos familiares ainda é alto. Precisamos orientar e divulgar constantemente a importância desse trabalho para melhorarmos nossos índices”, disse.
Dados sobre transplantes
Em relação à espera para a doação de órgãos no Espírito Santo, até essa terça-feira (03), a Central Estadual de Transplantes do Espírito Santo contabilizou 1.835 pacientes aguardando por um órgão no Estado, sendo 1.046 para rim, 773 para córneas, 17 para fígado e dois à espera de um coração.



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