
Após o recesso de fim de ano, a Penitenciária Agrícola do Espírito Santo (Paes), em Viana, voltou a ofertar o projeto de equoterapia para 70 crianças e adolescentes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) do município, nessa terça-feira (07). Outra novidade é que o projeto passou a atender também 10 adultos do Lar Genoveva Machado, que abriga pessoas com deficiência em Viana. As aulas acontecem na Penitenciária Agrícola de segunda a sexta-feira, pela manhã e à tarde.
No ano passado, a unidade prisional realizou mais de 750 atendimentos. Utilizado como método terapêutico, a equoterapia emprega o cavalo como aliado em diversos tratamentos, como paralisia cerebral, problemas neurológicos, motores e ortopédicos, autismo, entre outros.
Ao todo, 20 internos do regime semiaberto participam do projeto. Eles são responsáveis pelos cuidados com os animais e preparo do espaço para a realização das aulas. Para atuar no projeto, os detentos passam por treinamentos e cursos de qualificação para manejo dos equinos, que inclui atividades como doma, rédea, selagem, montaria, entre outros.
Atualmente, quatro cavalos são usados no projeto. Eles foram recolhidos nas rodovias e doados à unidade prisional. Entre eles estão Laptop, Sossego, Boneca e Prometeu, com exceção deste último: um manga larga doado por um empresário e que é considerado o melhor animal usado na equoterapia com as crianças.
A fisioterapeuta da Apae Viana, Lilian Flávia Pereira Reis, ressalta os benefícios da equoterapia. “A terapia com cavalos traz muitos benefícios para o corpo, tanto físico como psicológico. São ganhos como o equilíbrio que favorecem a coordenação motora e sensorial, estimula a comunicação e promove mais independência e autoconfiança para os praticantes. A equoteterapia é realizada em um ambiente aberto, onde os alunos podem interagir e ter contato com a natureza e isso representa muito para a promoção do bem-estar de todos”, destacou Lilian Flávia Pereira Reis.
Leizielle Marçal, diretora da Penitenciária Agrícola do Espírito Santo (Paes), explica a importância do projeto. “O projeto tem transformado a vida de muitas pessoas. A Secretaria da Justiça busca oportunizar ao preso alternativas, a fim de prepará-lo para o retorno ao convívio social. A equoterapia traz todo esse sentimento. Vemos a transformação das crianças que passam pelo tratamento, a felicidade das mães em ver a evolução dos filhos, do interno ao ter uma atividade de trabalho que busca fazer o bem e ainda trabalhamos outro ponto que é o acolhimento de animais abandonados em vias públicas”, explicou Leizielle Marçal.
Luziana Venturini Graci é avó do pequeno José, de 7 anos. Ele é autista e também foi diagnosticado com escoliose, um desvio na coluna. “Há um ano eu acompanho o José na equoterapia e vejo o quanto o desempenho dele melhorou. Está mais independente e o problema da coluna regrediu em 80% nesse período. Ele poderia ter de usar colete corretivo para a coluna. O projeto tem sido excelente na vida dele”, afirmou.


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