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Pressionado, Bolsonaro se despede de Abraham Weintraub, que deixa Ministério da Educação para assumir função no exterior.

Carlos Nadalim e Ilona Becskeházy são cotados para sucedê-lo, mas centrão e generais têm outros planos para o governo.

17/06/2020 às 19h49
Por: Cidade na Rede Fonte: BSM
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Pressionado, Bolsonaro se despede de Abraham Weintraub, que deixa Ministério da Educação para assumir função no exterior.

O Governo Federal deve anunciar em breve, talvez ainda hoje, a saída do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Ele deixará o comando da pasta e provavelmente será designado para um cargo no exterior.

 

O professor e economista paulistano Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub assumiu o MEC em 8 de abril de 2019, sucedendo o professor Ricardo Vélez Rodríguez, que permaneceu apenas 100 dias à frente da pasta. Desde o início, Weintraub mostrou-se um guerreiro político e um dos mais leais apoiadores do presidente Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios. Ao mesmo tempo, o novo ministro travou uma incansável luta contra as três espécies que desejam apossar-se do riquíssimo MEC: as capivaras da velha política, os tubarões do globalismo e as hienas da esquerda. A luta em várias frentes fez de Weintraub um ministro popular e bastante enaltecido pela militância governista.

 

Entre as realizações de Weintraub, destacam-se a Política Nacional de Alfabetização, concebido e desenvolvida pelo secretário de Alfabetização do MEC, professor Carlos Nadalim. Recentemente, o trabalho de Nadalim ganhou uma importantíssima aliada: a consultora educacional Ilona Becskeházy, que assumiu a Secretaria Nacional de Ensino Básico.

 

No entanto, o ápice da popularidade de Abraham Weintraub se deu com a divulgação do vídeo da reunião ministerial, no dia 22 de maio. Na gravação, Abraham aparece dizendo aquilo que a maioria dos brasileiros pensa sobre o STF. Essa foi a sua glória; e também a razão de sua queda. Perseguido implacavelmente pelas três faunas mencionadas acima, Abraham foi transformado em amigo número 1 do povo — chegando a ser carregado nos braços de manifestantes; quem jamais imaginaria um ministro da Educação em semelhante situação? — e inimigo número 1 da amadíssima Suprema Corte brasileira.

 

A manutenção de Abraham no Ministério tornou-se ainda mais complicada depois que o ministro da Justiça, André Mendonça, enviou ao STF um pedido de habeas corpus para que o nome de Weintraub fosse retirado do famigerado inquérito das “fake news”. O plenário do Supremo negou o HC por 9 votos a 1. A mensagem era clara: “Esse cara nós não aceitamos”. Também, ele tem essa mania de dizer a verdade!

 

Agora resta ao presidente uma importantíssima decisão. Se entregar o Ministério da Educação a um de seus mais brilhantes e leais parceiros — Carlos Nadalim ou Ilona Becskeházy — ou ainda escolher o professor e capitão-de-fragata Eduardo Melo (ex-secretário-executivo adjunto do MEC), a educação brasileira continuará em boas mãos. Se, por outro lado, o presidente Bolsonaro preferir atender à ala “pragmática” e positivista do governo, o MEC será dominado pelas três faunas que devoraram o seu mais leal ministro.

 

Vá em paz, Abraham. Você saiu do Ministério para entrar na história. E a qualquer momento poderá voltar.

 

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