
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 18,5% dos negócios fecham com menos de um ano de funcionamento e mais de 70% encerram suas atividades em menos de dez anos de vida. Além disso, ainda de acordo com o órgão, por volta de 581 mil empresas foram fechadas entre o segundo trimestre de 2019 e de 2021.
Para Felício Rosa Valarelli, advogado e empresário à frente da Valarelli Advogados Associados, que atua com advocacia empresarial, “essa ‘quebradeira’ se motivou quando estas empresas passaram a não resolver determinado problema de mercado”. Ele afirma que, “muitas vezes, o empreendedor tem uma grande ideia, uma ótima tecnologia por trás, mas essa solução visceralmente não atende ao mercado”.
Valarelli acrescenta que uma empresa que não está apta a mudar seus produtos, crenças e modo de operar, infelizmente, está fadada ao fracasso. Neste sentido, ele diz que, ao perceber que algo está ‘brecando’ o crescimento do negócio, um bom empreendedor sabe reagir de forma rápida e efetiva para mudar o que for preciso. “Apegar-se às próprias ideias de forma obtusa, efetivamente não combina com quem quer empreender”, afirma.
Medidas contra o fechamento precoce
“É do conhecimento de todos que ‘tempo e dinheiro’ são recursos que se findam, por isso, é preciso saber usá-los com muita sabedoria”, afirma Valarelli. Nesse sentido, prossegue ele, planejar a necessidade de um fundo de emergência, saber onde gastar e ter recursos para manter a empresa funcionando até o ponto de virada é imprescindível para que “o negócio não entre na estatística” e feche suas portas precocemente. O profissional afirma ser necessário, para tal intento, calcular previamente o nível de vendas para vir a cobrir custos e gerar lucro.
“A principal causa [para fechar uma empresa] é a falta de capital. Mas temos que pensar com a lógica que a falta de capital é uma consequência e não uma causa”, pontua. “Para entendermos melhor, precisamos analisar um dos fatores que ocorre em uma crise, que é a falta de liquidez dos agentes econômicos, sejam eles os bancos ou clientes”.
Quando o faturamento cai de 30% a 40%, trata-se de pura sobrevivência, afirma o especialista. Em uma situação extrema como essa, apenas a redução dos custos não é suficiente, pois nenhuma empresa consegue baixar os custos em tal porcentagem em tão curto período de tempo. Além disso, no início, o racionamento gera quase sempre custos adicionais, principalmente as rescisões trabalhistas.
“A economia vem somente mais tarde. Os períodos de amortização são frequentemente consideráveis. Além disso, tem o aumento do ciclo financeiro do caixa, por causa do aumento da inadimplência, clientes pedem aumento de prazo de pagamento, fornecedores exigem prazos menores e alguns casos pagamento à vista”, discorre. “Isso atinge diretamente o caixa da empresa, o qual inicia a sangria. Além disso, os bancos restringem o crédito, assim piorando ainda mais a liquidez da empresa”, completa.
Para Valarelli, nesse contexto, um equívoco motivador é que muitos empreendedores creem que podem assumir todas as frentes cuidando ‘sozinhos’ de seus negócios. “No entanto, eles se esquecem que, para dar certo, é importante trazer pessoas que agreguem em diversas áreas, sendo necessário delegar e, se for o caso, reavaliar sua equipe e ‘turbiná-la’ para que o sonho do empreendedorismo não se transforme em pesadelo”, conclui.
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