
A supressão de árvores no entorno da Escola Municipal Zilma Coelho Pinto, conhecida como Campanha, no bairro Ferroviários, tem gerado revolta entre moradores e ambientalistas de Cachoeiro de Itapemirim.
Na última sexta-feira (6), três árvores com mais de 30 anos foram retiradas. Na manhã desta terça-feira (10), a prefeitura retirou mais uma castanheira situada perto do portão principal e iniciou o corte de outra. A previsão é que mais uma seja retirada esta semana.

A retirada das árvores está sendo realizada por uma empresa terceirizada contratada pela prefeitura a pedido da Secretaria Municipal de Educação.
Segundo moradores, ao longo do ano, outras seis árvores já haviam sido removidas nas proximidades da escola.
A obra de ampliação está orçada em R$ 7,1 milhões e vai permitir a criação de mais 300 vagas para alunos. O projeto inclui a mudança do local do muro e a criação de uma nova entrada para facilitar o acesso de veículos.

No entanto, moradores questionam a necessidade da retirada, afirmando que alternativas poderiam ter sido adotadas para preservar o que consideram um patrimônio ambiental e social.
“Em questão de minutos, destruíram o que levou décadas para crescer”, reclamou um morador vizinho da escola, que pediu para não ser identificado.
Outro morador, que também pediu para não ser identificado, destacou que as árvores eram lar de famílias de macacos e ajudavam a manter a região sombreada e fresca.
“Estamos perdendo uma das áreas mais arborizadas de Cachoeiro”, afirmou.
João Luiz Madureira Júnior, presidente da ONG Caminhadas e Trilhas – Preserve, criticou a falta de planejamento para preservação ambiental na cidade. “Essas árvores são patrimônio da cidade, não só pela sombra e oxigênio que fornecem, mas pelo papel fundamental na biodiversidade e no combate ao aquecimento global”, enfatizou.
Para João Luiz, um projeto de engenharia mais cuidadoso poderia harmonizar a ampliação da escola sem suprimir as árvores, sugerindo ajustes como recuo do muro ou mudança no local de entrada.

O advogado Rodrigo Souza também questionou a falta de um estudo ambiental detalhado antes da remoção.
“A retirada dessas árvores é um contrassenso, especialmente dentro de uma escola onde se deve ensinar educação ambiental”, argumentou.
Segundo Rodrigo, as árvores, que tinham cerca de 15 metros de altura e diâmetro de até 60 cm, poderiam ter sido preservadas com mudanças mínimas no projeto.
A situação reacende o debate sobre a arborização urbana em Cachoeiro, especialmente diante dos desafios do aquecimento global.
“Precisamos de políticas públicas que priorizem a preservação e o plantio de árvores, como faz a cidade de Vitória”, reforçou Madureira, cuja ONG já plantou 400 árvores na cidade por meio do projeto Florestas Urbanas.
Em nota, a prefeitura informou que a retirada foi autorizada pelo órgão ambiental responsável e que, como compensação, serão plantados 45 ipês na região.
A Secretaria de Educação justificou a medida como necessária para a ampliação da escola e a garantia de acessibilidade, assegurando que todas as licenças foram obtidas de forma regular.
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