
A vereadora Eliane Turini (PSB), da cidade de Vargem Alta, na Região Serrana do Estado, tem utilizado suas redes sociais e a tribuna da Câmara Municipal para denunciar diversos problemas na saúde pública do município, como a falta de atendimento por ambulâncias municipais e a recusa de um hospital em atender pacientes encaminhados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU 192. Segundo a parlamentar, ela tem recebido diversas reclamações da população, apontando falhas nos hospitais que, se não forem resolvidas, poderão custar a vida de alguém.
Um dos episódios mais preocupantes ocorreu com uma colaboradora de uma empresa local, que sofreu uma crise convulsiva durante o trabalho. Sem conseguir assistência do SAMU — que estava em outra ocorrência — e informado de que as ambulâncias da Prefeitura não poderiam atender, o empregador decidiu levá-la por conta própria ao Pronto Atendimento Municipal. Ao chegar, gravou um vídeo mostrando três ambulâncias paradas no pátio da unidade. O material foi encaminhado diretamente à vereadora, que expôs o caso em suas redes sociais.
Confira:
“É inaceitável que uma vargem-altense seja transportada no banco de trás de um carro particular por falta de ambulância, enquanto os veículos estavam parados, sem uso no Pronto Atendimento. Um verdadeiro absurdo que não pode se repetir, pois isso poderia ter custado uma vida”, afirmou a vereadora.
A situação denunciada pela parlamentar teve grande repercussão nas redes sociais e em grupos de WhatsApp da cidade. Moradores relataram outras ocorrências semelhantes, expondo as falhas recorrentes no sistema de urgência e emergência de Vargem Alta.
Semanas antes do episódio que ganhou repercussão nas redes, Eliane informou que também foi procurada pela família de um idoso de 80 anos, ex-vereador do município, que passou mal em casa e foi levado pelo SAMU ao Hospital Padre Olívio (HPO), mas teve o seu atendimento recusado pela unidade e precisou ser transferido em estado crítico para Cachoeiro de Itapemirim.
“Diante de tantos absurdos, me dediquei a estudar os contratos que a Prefeitura firmou com o HPO e com o Inges, que administra o Pronto Atendimento. São quase R$ 300 mil por mês para cada instituição, pagos com dinheiro dos impostos do povo de Vargem Alta, para garantir o atendimento de urgência, emergência e internações 24 horas, todos os dias do ano. Recusar pacientes ou deixar de prestar socorro é injustificável. Nossa gente merece ser tratada com seriedade e respeito”, afirmou a vereadora.
A partir da denúncia feita por Eliane na última sessão da Câmara, os vereadores aprovaram a convocação da secretária municipal de Saúde, do coordenador do SAMU no município e dos diretores do HPO e do Inges. Eles deverão comparecer à Casa para prestar esclarecimentos sobre o funcionamento dos serviços de saúde nas próximas semanas.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde alegou que as ambulâncias registradas no vídeo estavam inativas — uma em manutenção e a outra sem estrutura adequada para emergências. A orientação oficial, segundo a pasta, continua sendo acionar o SAMU em casos de urgência. Já o Inges (Instituto Nacional de Gestão em Saúde) afirmou que não pôde enviar equipe para atendimento externo, pois isso comprometeria os atendimentos já em curso na unidade.
“Também sou usuária dos serviços públicos de saúde de Vargem Alta e já passei por isso, quando precisei de atendimento para o meu filho e tive que transferi-lo para Cachoeiro de Itapemirim. É revoltante ver a nossa população passando por esse sofrimento. Não vamos aceitar que isso continue acontecendo. Merecemos um atendimento digno, eficiente e mais humano. Isso não é nenhum favor. Pagamos os nossos impostos para isso. É preciso parar de remediar os problemas na saúde pública de Vargem Alta de forma paliativa e encontrar soluções concretas”, concluiu a parlamentar.
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