
A Associação Fórum Nacional das Mantenedoras de Instituições de Educação Profissional e Tecnológica (Brasiltec) divulgou um documento com propostas de políticas públicas para a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil, no próximo período governamental (2023 a 2026). Com o tema "Por um Brasil Profissionalizado", o documento alerta sobre a gravidade da falta de investimentos no setor e de como isso pode prejudicar a economia do país. Também aponta soluções que podem mudar essa situação, como o financiamento público de cursos técnicos e profissionalizantes, como acontece nas faculdades.
De acordo com a Associação, é urgente ampliar a oferta de Educação Profissional e Tecnológica de nível médio no Brasil para reduzir as possibilidades de o país vivenciar um apagão de mão de obra qualificada sem precedentes. A falta de investimento no ensino técnico e profissionalizante já reflete no mercado de trabalho: 61% das empresas apontam que não conseguem preencher vagas de trabalho abertas para técnicos por falta desses profissionais.
Pesquisas indicam que apenas 9% dos jovens brasileiros entre 20 e 24 anos fazem cursos técnicos (contra 89% dos jovens na Alemanha, 96% na França, 95% no Reino Unido, 98% na Holanda, 80% na Itália, 46% no México, 31% no Chile e 48% é a média dos países da OCDE). Mostram que o Brasil possui cerca de 50 milhões de jovens e destes, 12,1 milhões não trabalham, nem estudam e a taxa de desemprego entre os jovens é de 27%.
De acordo com a Brasiltec, para alcançar a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) em 2024, para matrículas de Educação Profissional e Tecnológica, o Brasil precisa aumentar em 85% a oferta atual neste setor. Até 2023, 10,5 milhões de trabalhadores brasileiros precisarão ser capacitados para exercer ocupações na área industrial, em especial operadores e técnicos.
E existem razões para investir, já que a taxa de empregabilidade dos concluintes de cursos técnicos é 73% em média (na área de saúde chega a 86%) e a renda per capta familiar dos egressos de cursos técnicos é 20% superior à dos estudantes do Ensino Médio regular. "Razões mais do que suficientes para o estabelecimento de uma política pública que transforme definitivamente esta realidade e acene para um cenário mais esperançoso para o país que interfira positivamente na empregabilidade de seus 50 milhões de jovens", alerta o documento.
De acordo com a presidente da Brasiltec, Cleunice Rehem, o objetivo da iniciativa é convencer os presidenciáveis, novos parlamentares e governadores e valorizar a Educação Profissional e Tecnológica. "As nossas propostas têm dois caminhos principais. O financiamento desse tipo de curso, um Fies renovado para o ensino técnico, por meio do mecanismo de financiamento Condicionado à Renda (FCR). E a revisão do marco legal da educação profissional e tecnológica, permitindo, por exemplo, que escolas técnicas ofereçam cursos superiores de tecnologias (CST), possibilitando a integração entre os cursos técnicos e os CST numa mesma instituição focada na formação profissional", explica.
Embora há mais de uma década seja permitido legalmente o financiamento estudantil em cursos técnicos pelo Fies, o Ministério da Educação (MEC) nunca regulamentou o assunto. "Mudanças urgentes são inadiáveis. Se o MEC regulamentasse o que a lei já definiu, resolveria. Mas como isso não acontece, apesar da nossa luta, estamos sugerindo aos parlamentares um Projeto de Lei com regras mais modernas e vantajosas para os estudantes", finaliza Cleunice Rehem.
Negócios Excesso de peso compromete durabilidade do caminhão
Negócios Barbieri estrutura atuação alinhada aos ODS da ONU
Negócios Uso de caneta emagrecedora pode elevar risco de pancreatite Mín. 19° Máx. 27°
