
A participação feminina no mercado de Tecnologia da Informação vem crescendo, no Brasil e em outros países. É o que mostra um estudo da companhia norte-americana de outsourcing de TI, BairesDev, que identificou o aumento no número de mulheres se candidatando a cargos no setor. Apesar disso, ainda há um longo caminho para alcançar um patamar de equidade de gênero, visto que no Brasil apenas 20% dos profissionais de TI são mulheres, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em um país que o público feminino corresponde a 52,52% da população.
Analisando cerca de 1 milhão de candidaturas, entre os anos de 2015 e 2021, a BairesDev descobriu que a proporção de candidatas foi de 11% para 31% na América do Sul e, no Brasil, de 16% para 40%. A Argentina está à frente, com a maior participação feminina, 46% de candidatas para as vagas da companhia. Na sequência vêm Uruguai, Honduras, Jamaica e República Dominicana, com o Brasil em oitavo lugar.
“Isso indica que apesar do crescimento, por aqui o desafio é ainda mais significativo. A inclusão de mulheres nesse mercado deve estar no radar de gestores e executivos de recursos humanos e empresas de recolocação, que têm muito a contribuir com a abordagem e promoção desse tema”, sinaliza a gestora de Marketing e RH da Finplace, Patricia Rechtman.
Ampliar a participação do público feminino no segmento depende de ações e projetos promovidos por empresas e entidades, como a realizada pela plataforma MaisMulheresTech, que visa capacitar 100 mil mulheres para vagas em TI. A iniciativa é da Microsoft, em parceria com a WoMakersCode, que oferece cursos online gratuitos em áreas como computação em nuvem, infraestrutura, segurança da informação, desenvolvimento, e inteligência artificial, com todos os cursos ministrados por mulheres.
Como a tecnologia pode ajudar
Além de ações como essa, a própria tecnologia é ferramenta para estimular a participação de mulheres em processos de seleção para posições em TI. Sistemas baseados em inteligência artificial podem ser utilizados para que a seleção de candidatos considere fatores como gênero, além de idade e nacionalidade. É o que faz o Staffing Hero, que analisa os dados dos candidatos e avalia as habilidades e exigências necessárias.
As áreas de interesse
O estudo da BairesDev também identificou que o SharePoint é a tecnologia que mais atrai mulheres, que se candidatam até três vezes mais a vagas envolvendo a plataforma. E as profissionais mostraram mais interesse por posições de desenvolvimento para dispositivos móveis. Já a faixa etária das candidatas é de 40% com 20 anos, enquanto para cargos de supervisão e liderança, mulheres entre 40 e 49 anos representam 37% das candidaturas, segundo o relatório Women in Tech deste ano.
Rechtman acredita que conhecer os principais interesses femininos em TI faz toda a diferença para o desenvolvimento de planos estratégicos que ampliem as oportunidades de inclusão, aumentando assim a participação das mulheres. “Quando pensamos na faixa etária, temos dois aspectos importantes: as possibilidades de atuação nesse mercado devem contemplar diferentes perfis de idade e experiência, incentivando o ingresso desde cedo e a qualquer momento da carreira”, analisa.
Para a executiva, a outra questão diz respeito às posições ocupadas por mulheres, que precisam alcançar cargos de liderança, em que serão responsáveis por direcionar as estratégias e tomar decisões importantes. “Não basta apenas que as empresas promovam ações de capacitação e ofereçam oportunidades, nem que as mulheres tenham interesse em ingressar o setor. É indispensável garantir a representatividade de gênero no longo prazo, e nessa jornada a diversidade e inclusão devem ser temas prioritários de todas as organizações, grandes companhias e startups, principalmente”, prevê a executiva.
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