
As emissoras de televisão Globo e Bandeirantes cederam domínio de produção de conteúdo à estatal comunista China Media Group – braço midiático do Partido Comunista Chinês. Em 2019, o grupo chinês assinou contrato de cooperação com as emissoras para a compra de espaços editoriais e a produção e compartilhamento de conteúdos de televisão. O acordo com a Globo inclui serviços de internet 5G.
A China é maior parceiro comercial do Brasil e tenta recuperar seu status de potência global, segundo analistas políticos e a porta de entrada tem sido os meios de comunicação. O recente posicionamento editorial do Grupo Bandeirantes de Comunicação, exibido durante o Jornal da Band, gerou repercussão nacional pelo uso de adjetivações impróprias para classificar membros do governo Bolsonaro. A linha editorial do grupo, entretanto, reflete o pensamento da sua controladora de comunicação.
A crítica editorial corresponde ao atrito entre o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, e o filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro, acerca da origem do novo coronavírus, que matou milhares de pessoas em todo mundo.
A China Media Group, formalmente estabelecida em 2018, mas já na primeira posição entre as maiores empresas do ramo, reúne os principais veículos de comunicação chineses, como a rede de televisão aberta CCTV e o canal internacional de notícias CGTN. É a maior produtora de conteúdo, sempre com capacidade para realizar as maiores coberturas. Sua atuação inclui 47 canais de televisão, dos quais 7 são internacionais e oferecem conteúdo em seis idiomas para 162 países.
A estatal também administra 17 frequências de rádio na China com tradução em 44 idiomas estrangeiros para o público global e ainda 3 grandes sites de notícias e 20 jornais periódicos de circulação nacional.
Parceria Band, Globo e China Media Group
A China Media Group reúne os principais veículos de comunicação chineses, amplamente controlados pelo regime comunista de Xi Jinping. A operadora de comunicação investe em parcerias financeiras e de conteúdo com veículos em dificuldades “operacionais” em várias partes do mundo.
As três emissoras assinaram o contrato de coorperação, em 11 de novembro de 2019. Os termos estabelecidos entre João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes e Shen Haixiong, presidente da China Media, prevêem o compartilhamento de conteúdo e parceria em produtos de entretenimento – como novelas, programas e documentários – e intercâmbio de tecnologias de rádio e televisão. A primeira ação do acordo de cooperação foi a exibição da série ‘Frases Clássicas Citadas pelo Presidente Xi Jinping’, produzida pelo grupo chinês.
Já no acordo com o presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho e Shen Haixiong, inclui-se a exploração nas áreas de compartilhamento programas, produção conjunta, utilização de tecnologia de 4K/8K e internet 5G.
À época, o empresário chinês afirmou: “A prioridade do Brasil é a economia e a geração de mais empregos, e temos muitos pontos em comum nesse sentido. Vamos trabalhar juntos para que possamos nos conhecer melhor e explorar melhor nossas culturas”.
O governador João Doria afirmou que a iniciativa abriria novas portas em diversos segmentos deixando claro a proximidade que o Brasil já possui com a China. “Quando você conhece melhor um país e seu povo, acaba produzindo mais negócios e mais oportunidades. A China tem mais de 200 empresas em São Paulo, 302 mil chineses vivem aqui, ou seja, é o estado que concentra os maiores investimentos e a maior população chinesa no Brasil,” disse no evento da assinatura da Band.
João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes e Shen Haixiong, presidente do grupo chinês (Kelly Fusaro/Band)
Concessão pública
Os canais de sinal aberto no Brasil pertencem ao Estado e são concedidos temporariamente às emissoras por meio de licitação com contrato de concessão pública. Para ser detentora de um canal, a emissora precisa cumprir uma série de pré-requisitos – como ter no mínimo 70% de seu capital na mão de acionistas brasileiros.
Caso o Estado constate que uma emissora fez uso do canal para fins escusos, pode se recusar a renovar a concessão. O jornalista e analista político Alfredo Bessow sugere uma CPI para investigar a amplitude contratual entre a Band e a China Media Group, uma vez que se trata de uma concessionária pública brasileira controlada por um partido comunista estrangeiro.
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