
O governo do Reino Unido anunciou nesta terça-feira (14) o banimento da Huawei de suas redes 5G . Com isso, as operadoras de telecomunicações estão impedidas de comprar novos equipamentos da empresa e têm até 2027 para remover a tecnologia já existente. São estimados custos de 2 bilhões de euros para esta operação.
A decisão, que segue um relatório do Centro Nacional de Segurança Cibernética, marca uma reviravolta na posição do governo. Em janeiro, o país permitiu que os equipamentos da Huawei fossem usados com certa limitação. Na época, ficou decidido que a empresa poderia ter participação máxima de 35% no mercado, além da impossibilidade de fornecer equipamento para as partes principais da rede ou locais geograficamente sensíveis.
Pressão dos EUA
Nos últimos meses, o governo britânico viu crescer a pressão nacional e internacional para se afastar da empresa chinesa. A preocupação em relação a segurança dos equipamentos, em razão de uma possível ligação da Huawei com o governo chinês, negado veementemente pela empresa, tem causado grandes problemas para a gigante tecnológica.
Os Estados Unidos representam a maior oposição à empresa, e tem tentado convencer aliados a evitar a Huawei. O governo de Trump informou que tanto a empresa quanto seus fornecedores não poderão usar tecnologias americanas nem fazer negócios com empresas de origem no país.
A Huawei afirmou que a decisão do governo do Reino Unido é “decepcionante” e que está confiante de que as sanções dos EUA não afetariam “a resiliência ou segurança dos produtos que fornecemos ao Reino Unido”. Além disso, a empresa pediu para o governo britânico reconsiderar a decisão.
Impacto no Brasil
O Brasil poderá sofrer com anos de atraso na implantação de uma rede de comunicações 5G e custos mais altos caso sucumba às pressões crescentes dos Estados Unidos e não inclua a Huawei como uma das fornecedoras de equipamentos, de acordo com um executivo da fabricante chinesa.
As declarações foram feitas enquanto o governo Trump intensifica os esforços para limitar o papel da Huawei na implementação da tecnologia 5G na maior economia da América Latina. Todd Chapman, embaixador dos EUA, chegou a sugerir que o país está disposto a financiar a compra de equipamentos de outros fornecedores para o Brasil, apenas para evitar a Huawei.
Em junho, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a implementação do 5G teria que atender às necessidades de soberania nacional, informações e segurança de dados. Bolsonaro tem adotado uma postura menos agressiva em relação à China desde que tomou posse, embora seja um aliado próximo de Trump.
Marcelo Motta, diretor de segurança cibernética e soluções da Huawei, afirmou que diminuir a participação da Huawei "apenas atrasará a implementação do 5G no Brasil e afetará os preços para as operadoras, provedores regionais de serviços de internet e clientes".
As operadoras do país construíram grande parte de sua infraestrutura usando os equipamentos da Huawei, visto que a companhia reforçou sua presença no Brasil nos últimos anos. "Em lugares onde houve restrições à Huawei, vimos os preços subirem de duas a cinco vezes, muitas vezes inviabilizando os negócios para as operadoras", explicou Motta.
O executivo observou que o Brasil já enfrentava o desafio de expandir sua infraestrutura existente. Alterar o fornecedor exigiria a substituição dos equipamentos já instalados por parte das operadoras, em vez de simplesmente atualizar o que já foi feito.
A Huawei conduziu os testes do 5G com sucesso com todas as principais operadoras do Brasil ( TIM , Telefônica , Claro e OI ), e está auxiliando na modernização da infraestrutura do país antes do tão aguardado leilão do 5G, organizado pela Anatel .
A Huawei, que investiu cerca de US$ 4 bilhões em 5G em todo o mundo nos últimos 10 anos, pretende fabricar a nova tecnologia em uma de suas duas zonas de produção no Brasil. A empresa viu seus custos operacionais aumentarem durante a pandemia, já que menos voos significam transporte aéreo mais caro. No entanto, segundo Motta, essa questão "ainda não é crítica".
Tim deixa Huawei de fora
Outra informação que vem para agregar a esse caso é a exclusão da Huawei de licitações da Tim . A empresa não convidou a chinesa para participar das licitações de equipamentos para 5G nas redes que está construindo na Itália e no Brasil, de acordo com a Reuters.
Isso acontece em meio a relatos de que a Itália , assim como o Reino Unido, pensa em excluir completamente a Huawei de suas redes 5G . De acordo com o site Money Times, a Tim Brasil nega a exclusão da empresa chinesa.
"A TIM Brasil informa que, ao contrário do que foi divulgado recentemente, ainda não tem definidos os fornecedores de equipamentos para o sistema 5G. A empresa fará seu processo de compras, sempre norteado por critérios de alta qualidade e preços competitivos, seguindo as regras definidas pelas instituições brasileiras", disse, em nota.
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