
Um homem de 44 anos, condenado a 83 anos e três meses de prisão e foragido da Justiça da Bahia havia mais de quatro anos, foi preso nesta quinta-feira (10), na Praia de Ubu, em Anchieta, no litoral Sul do Espírito Santo, a cerca de 90 quilômetros de Vitória. A prisão ocorreu durante a Operação Modo Avião, realizada pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia de Polícia (DP) de Piúma, com apoio da Força Tática da 10ª Companhia Independente da Polícia Militar (PMES) e, em conjunto com a Polícia Civil da Bahia (PCBA).
O procurado estava escondido em uma casa localizada pelos policiais durante os levantamentos para descobrir o paradeiro dele. O homem, identificado como Alean de Almeida Silva, é apontado como uma das lideranças de uma organização criminosa ligada à facção Comando Vermelho, com atuação no comércio de entorpecentes em Santo Antônio de Jesus e região, no Recôncavo da Bahia, inclusive dentro de unidades prisionais baianas.

Segundo a Polícia Civil da Bahia, Alean também é apontado como mandante de um triplo homicídio ocorrido em 2019, em Santo Antônio de Jesus. Três homens foram mortos a tiros enquanto jogavam dominó em uma rua do município. O crime foi ordenado por Alean e teria sido motivado por uma disputa entre grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas. Os demais envolvidos no triplo homicídio também receberam penas elevadas, entre 78 e 86 anos de prisão.
Segundo o titular da Delegacia de Polícia (DP) de Piúma, delegado Rodrigo Toscano, a equipe recebeu a informação de que o foragido estaria no Espírito Santo e passou a fazer levantamentos para localizar o esconderijo.
“Nós identificamos que o homem estava morando em Anchieta, no litoral Sul do Espírito Santo, e repassamos as informações à Polícia Civil da Bahia, que solicitou judicialmente a busca no imóvel. Nesta quinta-feira (10), as equipes foram até o endereço e cumpriram a ordem judicial”, disse o delegado.
Durante a ação, os policiais tiveram acesso ao celular do suspeito. Segundo Toscano, uma análise preliminar do aparelho encontrou materiais que indicam que Alean continuava mantendo contato com integrantes do tráfico na Bahia. “Apesar de estar escondido no Espírito Santo, ele seria responsável por coordenar atividades criminosas realizadas por outros integrantes do grupo”, explicou o delegado.
O homem foi encaminhado ao Centro de Triagem localizado no Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, à disposição da Justiça. A eventual transferência do preso para a Bahia depende de decisão judicial.
O triplo homicídio
Segundo a Polícia Civil da Bahia, o triplo homicídio ocorreu em 14 de julho de 2019, em uma rua de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. As vítimas André Lucas, conhecido como “Luquinha”; Erundi Carlos, o “Neguinho” ou “Nem”; e Emerson Gutierre, chamado de “Gu”, estavam jogando dominó quando foram surpreendidas por criminosos armados. Os três foram atingidos por disparos e morreram no local.
De acordo com a decisão judicial, Alean de Almeida Silva e Adriano Carlos Santos de Jesus teriam ordenado a execução. André Luiz de Jesus Santos e Vitor Pereira dos Santos participaram diretamente da ação, juntamente com Paulo Ricardo, que também foi apontado como envolvido.
O crime teria sido motivado por uma disputa entre grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas. Segundo a sentença, as vítimas teriam deixado o grupo conhecido como “Bonde de Saj” e passado para uma facção rival, o “Bonde do Maluco (BDM)”.
Ainda segundo o processo, outro elemento apontado como possível motivação foi o envolvimento de Emerson Gutierre em uma situação relacionada à ex-companheira de Vitor Pereira dos Santos. A motocicleta de Emerson teria sido emprestada para um encontro envolvendo Vitor e a mulher, circunstância que, conforme relatado nos autos, teria contribuído para o conflito.
No julgamento pelo Tribunal do Júri, os jurados reconheceram a participação de Alean, Adriano e André Luiz nos três homicídios, além das qualificadoras de motivo torpe e do uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. Alean foi condenado a 83 anos e três meses de prisão.
Operação Modo Avião
O nome da operação faz referência à interrupção da comunicação de Alean com os demais integrantes da organização criminosa que atuavam diretamente no tráfico na Bahia.
Segundo o delegado Rodrigo Toscano, o titular da DP de Piúma, embora estivesse morando no Espírito Santo, o foragido continuava mantendo contato com integrantes do grupo criminoso na Bahia. A prisão, portanto, interrompeu essa comunicação.
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