
O Ministério da Economia, otimista em relação ao impacto da pandemia sobre o Brasil, decidiu manter em 4,7% a estimativa para o tombo da economia em 2020. O número foi divulgado nesta quarta-feira (15). Essa é a mesma previsão que foi divulgada em maio . Em março, no início da pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2), a previsão era de estabilidade no Produto Interno Bruto (PIB) , a soma de todos os bens e serviços produzidos no País.
Se esse número for confirmado - queda de 4,7% - será a maior retração registrada no Brasil desde 1962, quando iniciou a série disponível no site do Banco Central. Até agora, o pior resultado da economia brasileira foi registrada em 1990, quando houve uma queda de 4,35% no PIB. Em 2019, a economia cresceu 1,1%. Em 2018, 1,3%.
O ministério justifica a manutenção da projeção citando as medidas tomadas pelo governo, como postergação de impostos e flexibilização dos contratos de trabalho.
“Como resultado a atividade tem mostrado sinais de recuperação mesmo durante o isolamento . Enquanto abril foi o mês de queda mais pronunciada, os meses seguintes já apresentaram recuperação, indicando que a velocidade de retomada tende a ser maior que a prevista anteriormente”, diz o texto.
As medidas restritivas e de distanciamento social necessárias para frear a pandemia do novo coronavírus, que levaram, por exemplo, ao fechamento de boa parte do comércio e de fábricas ligadas a áreas consideradas não essenciais estão sendo gradativamente reabertos em todo país.
Mesmo assim, o governo considera que “o período de isolamento social no país seja um dos mais prolongados no mundo”. Mas não apresenta dados e comparação do Brasil com outros países.
“Logo, mesmo com o prolongamento do isolamento, as medidas adotadas contiveram o aprofundamento da crise, de forma que mantivemos nossa projeção de crescimento em -4,7% para 2020 e 3,2% para 2021”, diz o texto.
A nova estimativa do governo para o PIB deste ano está melhor do que a previsão dos economistas do mercado financeiro, colhida na semana passada pelo Banco Central, pela qual a economia terá uma retração de 6,1% em 2020. Também é mais otimista do que a previsão do Banco Mundial, de uma queda de 8% do PIB brasileiro neste ano, e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que estima um tombo de 9,1% em 2020 .
Auge das medidas tomadas contra o novo coronavírus, o segundo trimestre deve registrar uma queda da 9,3% no PIB, segundo o governo. Para o ano de 2021, a estimativa do governo é de crescimento de 3,2%. Já para 2022 e 2023, a projeção do crescimento é de 2,5%.
A projeção de inflação de preços ao consumidor para 2020 é de 1,60%.
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia avalia que, mesmo diante da "perda substancial de empregos e redução de salários", as políticas adotadas pelo governo no elevaram a massa salarial ampliada no período e têm sido "importantes para garantir demanda a diversas firmas e setores durante esse período, minimizando o risco de falência".
A pasta destaca, porém, que essas medidas devem ser temporárias. “Consequentemente, novos desenhos de políticas de proteção social e estímulo ao emprego estão sendo desenhadas pelo Governo Federal para o período pós isolamento, que se concentram na evolução permanente da capacidade produtiva sem impor quaisquer custos fiscais adicionais”, considera.
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