
O Brasil é, hoje, uma nação que envelhece em ritmo acelerado, mas este dado demográfico não se traduz em presença nas urnas. Nas eleições de 2022, a abstenção das pessoas com mais de 70 anos foi de 60%, com um número ainda maior entre as mulheres da mesma faixa etária, de acordo com dados divulgados pela campanha Voto 70+. A iniciativa busca estimular a participação eleitoral das pessoas dessa faixa etária.
"Estamos diante de uma contradição importante: nunca tivemos tantas pessoas vivendo mais, com mais experiência e capacidade de contribuição e, ao mesmo tempo, nunca tivemos tanta gente fora das decisões", afirma Clea Klouri, cofundadora do data8, hub especializado em economia da longevidade, que lidera a campanha. Ela destaca que, dos quase 15 milhões de eleitores 70+ cadastrados atualmente no país, um contingente de 8 milhões não vota.
O foco imediato da ação é a regularização do título de eleitor. A partir dos 70 anos o voto é facultativo no Brasil, mas é necessário saber se a inscrição eleitoral está regular. Os cidadãos que desejam votar em outubro têm até o dia 6 de maio para estar em dia com a Justiça Eleitoral. O passo a passo para verificar se o título está ativo, como atualizar o endereço, entre outras informações pode ser consultado no site da campanha.
A campanha conta com o apoio de nomes como a empresária Luiza Trajano e os atores Ary Fontoura e Zezé Motta. Além da presença digital, a iniciativa promove ações presenciais em agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 32 cidades brasileiras entre 27 de abril e 6 de maio.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população com mais de 60 anos cresce rapidamente no mundo e atingirá a marca de 2 bilhões de pessoas até 2050. "O país envelheceu, mas essa mudança não se reflete plenamente na democracia. Diante disso, desenvolvemos uma campanha cidadã, apartidária, com o apoio de diferentes atores da sociedade para transformar esse contexto", informa Klouri. Para ela, a ideia de que a abstenção se converte em exclusão é central para entender o cenário atual: ao serem gradualmente excluídos do pleito, esses cidadãos perdem o peso de sua voz nas decisões públicas, explica a especialista.
Geração Baby Boomer
Os 70+ de hoje são, em sua maioria, da geração Baby Boomer, nascida após a Segunda Guerra Mundial. "Estamos falando de uma população com trajetória, repertório e presença ativa na vida social, econômica e familiar do país. Eles ressignificaram a juventude e agora a longevidade", aponta Adriana de Queiroz, head de Inovação & Insights do data8.
Ela enfatiza que são pessoas conhecidas por valorizar estabilidade profissional, trabalho árduo e estrutura familiar, e que também lideraram revoluções culturais nos anos 60/70, movimentos sociais, discutiram valores, abraçaram o feminismo, experienciaram uma revolução sexual, a contracultura e grandes avanços tecnológicos. Embora tenham vivido a era do rádio, adaptaram-se aos streamings.
"A campanha Voto 70+ nasce para ampliar a presença dessas pessoas nas decisões que impactam o presente e o futuro do país", defende Queiroz. Ela ressalta que o objetivo é reunir e conectar pessoas, organizações, empresas, movimentos e iniciativas que reconheçam a potência desse público.
"Sociedades de matriz africana e indígenas não deixam de ouvir os mais velhos. Votos 70+ são a experiência que constrói o futuro, são pessoas que seguem ativas, produtivas, mas cuja participação ainda é menor do que poderia ser nas decisões coletivas", revela Queiroz, ao ponderar a importância de uma campanha de alcance nacional para ampliar a participação eleitoral das pessoas com mais de 70 anos, fortalecer o voto feminino nessa faixa etária e reposicionar esse público como um ator central da democracia.
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