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Perimenopausa pode começar até dez anos antes da menopausa

Identificação precoce da condição abre janela de oportunidade em um período da vida em que o organismo responde melhor à reposição hormonal

06/07/2026 às 16h58
Por: Cidade na Rede Fonte: Agência Dino
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Imagem Ilustrativa gerada com IA (ChatGPT)
Imagem Ilustrativa gerada com IA (ChatGPT)

Insônia, cansaço persistente, dificuldade para emagrecer, aumento da gordura abdominal, irritabilidade, perda de libido e sensação de "névoa mental". Embora muitas mulheres associem esses sintomas ao envelhecimento, ao estresse ou à rotina intensa, eles podem estar relacionados a uma fase pouco conhecida da saúde feminina: a perimenopausa.

Segundo o médico Dr. Joaquim Menezes, especialista em longevidade, performance e saúde hormonal, estudos indicam que a perimenopausa pode começar até uma década antes da menopausa propriamente dita e costuma passar despercebida justamente porque os sinais surgem de forma gradual e muitas vezes desconectada.

"A maioria das mulheres acredita que as mudanças hormonais começam apenas quando a menstruação para. Na prática, as oscilações hormonais podem se iniciar anos antes, mesmo com ciclos menstruais ainda presentes. O problema é que os sintomas aparecem de forma fragmentada e acabam sendo atribuídos ao estresse, à idade ou ao excesso de trabalho", explica.

A menopausa é caracterizada pela interrupção definitiva da menstruação por 12 meses consecutivos. Já a perimenopausa corresponde ao período de transição, marcado principalmente por oscilações nos níveis de estrogênio e progesterona, hormônios fundamentais para o funcionamento de diversos sistemas do organismo.

"O estrogênio não atua apenas na fertilidade. Ele participa da regulação do sono, da cognição, do metabolismo, da saúde cardiovascular, da integridade óssea, da produção de colágeno e até da modulação de neurotransmissores ligados ao humor e ao bem-estar. Quando esses níveis começam a oscilar, o impacto pode ser sentido em todo o organismo", afirma o especialista.

Entre os sintomas mais comuns estão alterações do sono, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, irritabilidade, redução da libido, ganho de peso, especialmente na região abdominal, além das conhecidas ondas de calor.

De acordo com Dr. Joaquim, um dos maiores desafios é que muitas mulheres passam anos tratando sintomas isolados sem investigar a causa hormonal subjacente.

"Não é raro encontrarmos pacientes que receberam tratamentos para insônia, ansiedade ou ganho de peso sem que a questão hormonal tenha sido adequadamente avaliada. Em alguns casos, estamos tratando a consequência sem abordar o mecanismo que está provocando aquela alteração", destaca.

Janela de oportunidade

O especialista explica que existe um conceito amplamente discutido na medicina chamado "janela de oportunidade", período em que determinados tecidos do organismo ainda apresentam maior capacidade de resposta aos hormônios.

"Os receptores hormonais presentes em estruturas como ossos, vasos sanguíneos, pele e sistema nervoso mantêm uma resposta mais favorável nos primeiros anos após o início da queda hormonal. Por isso, a identificação precoce dos sintomas e uma avaliação individualizada podem fazer diferença importante na qualidade de vida e na prevenção de problemas futuros", afirma.

Entre os benefícios associados ao acompanhamento adequado estão a preservação da massa óssea, a manutenção da saúde cardiovascular, a proteção da qualidade da pele e do colágeno, além da melhora dos sintomas que afetam diretamente o bem-estar e a produtividade.

Dr. Joaquim ressalta, entretanto, que não existe uma solução única para todas as mulheres. A decisão sobre estratégias terapêuticas deve ser individualizada e baseada em histórico clínico, exames laboratoriais, fatores de risco e objetivos de cada paciente.

"Perimenopausa e menopausa não precisam ser vividas no escuro. Hoje temos muito mais conhecimento científico e recursos diagnósticos do que há algumas décadas. O primeiro passo é entender que determinadas mudanças não precisam ser encaradas como algo inevitável ou simplesmente ‘normal da idade’. Quando identificamos a causa, podemos construir um plano de cuidado muito mais eficiente", conclui.

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