
Após sete anos de espera, terminou na noite desta quinta-feira (7) o julgamento do motorista e do dono do caminhão que provocou acidente trágico que tirou a vida de 11 pessoas e deixou outras nove feridas na BR-101, em Mimoso do Sul.
Wesley Rainha Cardoso, motorista do caminhão, foi condenado a 15 anos de prisão em regime fechado, enquanto o empresário Marcelo José de Souza, dono do caminhão que colidiu com o micro-ônibus, foi condenado a 2 anos e 3 meses de detenção em regime aberto.
O julgamento, que começou pela manhã, se estendeu até quase meia-noite no Fórum de Mimoso do Sul.
O Tribunal Popular do Júri decidiu que o motorista Wesley Rainha foi responsável por realizar uma manobra perigosa em alta velocidade, assumindo o risco que resultou no tombamento das chapas de granito e na colisão fatal.
Wesley teve prisão imediata decretada pelo juiz Rafael Murad Brumana.
Em contraste, Marcelo José de Souza, o proprietário do caminhão, recebeu uma pena mais branda, de 2 anos e 3 meses de detenção em regime aberto, pelo entendimento do júri de que sua ação, embora culposa, também contribuiu para a tragédia.
Marcelo foi autorizado a responder ao processo em liberdade até o trânsito em julgado.
Para o advogado das famílias das vítimas, Luiz Kaiser, a condenação representa um passo importante para os familiares que aguardam justiça desde o acidente.
“São sete anos de espera. A gente sabe que não se trata de criminosos contumazes, mas são pessoas que cometeram infrações e precisam ser responsabilizadas pelo que cometeram,” afirmou o advogado.
Ele destacou ainda a relevância da sentença: “O condutor recebeu pena e sai preso. O proprietário também foi condenado, mas, por se tratar de crime culposo, poderá responder em liberdade.”
A advogada de defesa de Marcelo, Luana Gasparine, afirmou que buscará a absolvição do seu cliente. “Marcelo não foi absolvido. Na realidade, ele respondeu por crime culposo e nós queríamos a absolvição, mas conseguimos o recurso em liberdade. Vamos recorrer, pois a nossa meta é a absolvição,” explicou Gasparine.
O acidente aconteceu em 10 de setembro de 2017, quando um micro-ônibus que transportava integrantes do grupo de dança alemã Bergfreunde, de Domingos Martins, retornava de uma apresentação em Juiz de Fora, Minas Gerais.
Segundo a investigação, Wesley Rainha Cardoso, o motorista do caminhão, tentou uma ultrapassagem arriscada em uma curva e em alta velocidade, o que resultou no tombamento das chapas de granito que transportava.
As rochas caíram na pista, atingindo o micro-ônibus e levando à colisão fatal com uma carreta e um Ford Ka, que também se envolveu no acidente. O micro-ônibus pegou fogo após o impacto, resultando na morte de 11 pessoas e deixando outras nove feridas.
A investigação apontou que o motorista Wesley não possuía autorização para o transporte de granito e que a carga estava acima do limite permitido, fatores que contribuíram para o acidente.
Já Marcelo, o dono do caminhão, foi responsabilizado por permitir o uso de um veículo sem as devidas condições de segurança e por contratar um motorista não qualificado.
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