
A crise financeira da Oi chegou a mais um capítulo decisivo. A Justiça do Rio de Janeiro confirmou nesta terça-feira (25) a falência da empresa de telecomunicações, após anos de dificuldades, renegociações de dívidas, venda de ativos e duas recuperações judiciais.
A decisão foi tomada pela Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que retomou a análise dos recursos apresentados no processo e restabeleceu a falência da companhia.
O tamanho do problema financeiro ajuda a explicar a situação. Segundo dados apresentados no processo, em outubro de 2025 a Oi acumulava cerca de R$ 45,5 bilhões em dívidas com credores externos. Além desse valor, a empresa tinha aproximadamente R$ 1,7 bilhão em novas obrigações assumidas depois do início da recuperação judicial.
A empresa já havia enfrentado uma primeira recuperação judicial, iniciada em 2016 e encerrada em 2022. No ano seguinte, em março de 2023, a Oi entrou novamente com pedido de recuperação judicial, desta vez declarando uma dívida de aproximadamente R$ 44 bilhões.
Durante esse período, a companhia tentou reduzir o endividamento por meio da venda de ativos e da reorganização de suas operações. Entre os negócios vendidos esteve a unidade de fibra óptica, que passou a integrar a V.tal, além de outras operações que foram descontinuadas ou transferidas.
Mesmo com essas medidas, a situação financeira continuou se agravando. A empresa chegou a informar dificuldades para manter recursos suficientes para cobrir despesas essenciais, cenário que acabou pesando na decisão pela falência.
A falência já havia sido determinada anteriormente, em novembro de 2025, mas a decisão acabou suspensa após recursos apresentados por grandes credores, entre eles os bancos Itaú e Bradesco.
Agora, os desembargadores voltaram a analisar o caso e, por decisão unânime, rejeitaram os recursos que buscavam impedir a quebra da companhia. Com isso, a falência foi novamente restabelecida.
Apesar da decisão, a situação não significa necessariamente uma interrupção imediata de todos os serviços ligados à empresa. A Justiça determinou medidas para organizar o processo e preservar atividades consideradas essenciais durante a transição.
O caso envolve ainda milhares de credores, trabalhadores e empresas que possuem valores a receber da Oi. A partir da falência, a Justiça passa a coordenar o processo de organização dos bens e das dívidas da companhia, com o objetivo de definir os pagamentos aos credores conforme as regras legais.
A queda da Oi encerra uma longa trajetória de uma das empresas que tiveram papel importante na história das telecomunicações brasileiras e marca o desfecho de anos de tentativas de recuperação financeira.
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